segunda-feira, 9 de novembro de 2009

BeautifulPeople.com

Surgiu recentemente uma nova rede social, a "BeautifulPeople.com", em que, basicamente, só entram pessoas lindas ...
O seu fundador, um dinamarquês de 32 anos chamado Robert Hintze, não podia ser mais claro: "os outros sites são selvas de hipopótamos e bodes. A "BeautifulPeople.com" é uma reserva de caça magnífica de leopardos e gazelas" (simpático, não é?) ...
Mas melhor do que isso é a missão do site: "criar uma comunidade mundial perfeita de beleza." UAU, esta é que é uma causa louvável!!

Confesso que por curiosidade naveguei na página e é como se lê nas notícias: qualquer pessoa pode inscrever-se no portal, ainda que a probabilidade de não ser aceite seja muito forte. Os promotores do site calculam que a taxa de sucesso entre os que se candidatarem seja de apenas 20%.
O processo é simples e rápido: a pessoa envia uma foto e um perfil. Nas 48 horas seguintes, todos os membros do sexo oposto votam se querem ou não que o candidato a membro seja admitido. Durante a votação, o candidato tem acesso a um gráfico em tempo real com a sua cotação e poderá ver, através da cor verde ou vermelho, se vai ou não entrar.
E as estatísticas desta rede social demonstram bem o impacto que tem tido junto das pessoas "lindas": desde que começou, o site deu origem a "10 mil relacionamentos" e destas relações nasceram "400 bebés bonitos".
Sem querer ofender (muito) quem concorda com esta ideia, eu penso que é do mais fútil e preconceituoso que tenho ouvido falar ... não nego a importância que o factor atracção tem para mim na escolha da cara-metade, mas considero que a beleza é subjectiva e um homem que eu penso ser atraente, poderá não o ser para outra mulher ... já diz o ditado "Quem ama o feio, bonito lhe parece" :)
E pensar que é uma cambada de pessoas, cuja beleza não tem qualquer mérito nem representa qualquer conquista (foi herdada), quem vai determinar se eu sou bonita ou não? Não me parece!
A beleza não é uma qualidade "per se", nem torna ninguém mais apto para se sentir melhor do que o seu semelhante e portanto, para mim, esta é mais uma desculpa para reforçar a superficialidade e estupidez crescentes na nossa sociedade.
Mas ... como mulher coerente que penso ser, sei também que vivemos numa democracia e como tal, as pessoas têm o direito de querer pertencer à "BeautifulPeople.com", já que o pior que pode acontecer é ficar com a auto-estima beliscada, se rejeitados ... e quem é aceite, pode conseguir casar com uma "Barbie" ou um "Ken" e viver felizes para sempre :) E isso é sempre bom, certo? (tenho de parar com as ironias ...)
De qualquer forma, ao escrever estas linhas, recordo-me de ter visto na televisão que no maravilhoso país que deve ser a Mauritânia, o ideal de beleza para os homens são as mulheres gordas e com estrias!! Lá, a magreza das meninas é considerada um sinal de doença e fraqueza ... e se eles o dizem, quem somos nós para contestar?
Ok, brincadeiras à parte, esta forma de pensar, tão diferente da do mundo ocidental, só reforça a minha ideia de que o conceito de beleza é subjectivo e varia conforme o país, cultura ou época em que nascemos ...
E agora, muita atenção para quem sofre do síndrome "baixa auto-estima": é por esta razão ... por haver mil e uma formas de pensar, que temos de nos valorizar mais e gostar de nós como somos, pois já dizia a Helena Rubinstein, "Não existem mulheres feias, só desleixadas" e se há homens que gostam de mulheres altas e esguias, há também os que preferem as baixas e mais fofinhas (ufa!) ...
Conclusão: somos todos diferentes, uns mais vistosos do que outros, mas cada um de nós é especial à sua maneira :)

Termino voltando a citar uma frase do fabuloso "O Principezinho", "só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos" ... e não será por causa disso mesmo que beijamos de olhos bem fechados? Para ouvir atentamente o bater em uníssono dos corações ... que não se importam com a cor da pele, nacionalidade, ou medidas 86x60x86 :)

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

A Escola do Bem-Estar ...

Há cerca de um ano voltei a estudar, mas numa escola diferente daquela em que nos ensinam Português, Geografia e Matemática ... gosto de lhe chamar "Escola do Bem-Estar" :)
Nesta escola, tenho aulas às horas e aos dias que me convém e as matérias são sempre diferentes ... ora posso pular num trampolim, levantar pesos, pedalar furiosamente numa bicicleta ou dançar ao som de uma valsa ... há para todos os gostos ...
E os professores, apesar de exigentes, acolhem-me sempre com um sorriso aberto e com uma paciência infinita quando mostro preguiça nas aulas ... acompanham-me atentamente exercício a exercício, corrigindo-me quando faço mal o que me tinham pedido e tendo também presença de espírito para saberem castigar-me quando não me esforço o suficiente, incitando-me a repetir ...
Quem frequenta o "Bem-Estar" tem logo de decorar a regra de ouro (que é recente): quem reclama, repete o exercício 5 vezes ... "É como na tropa!", dizem-me eles :)
Desde criança que a aula de Educação Física era sempre a disciplina em que tinha a nota mais baixa e sempre preferi dedicar-me ao intelecto do que a jogar à bola com os colegas e, por isso, continuei a ter notas vergonhosas nas outras escolas do género do "Bem-Estar" que frequentei nestes últimos anos ...
Surpreendentemente, estou a aplicar-me bem mais nesta escola em que estou agora ... já não tenho tantas faltas de presença e penso mesmo que vou conseguir passar o ano com nota positiva :)
Mas acho que é porque no "Bem-Estar" não há monotonia, estamos constantemente a ser surpreendidos com actividades divertidas e não só: organizam visitas de estudo para aprender mais sobre temas como a História Antiga de Roma (em que até vídeos nos dão para ver), passeios de barco, jogos de aventura e até bailes de máscaras ... há também desfiles de moda e cocktails saudáveis, para que nada nos falte!
Ainda assim, não são só "fun and games" ... de três em três meses (para os menos aplicados é mais espaçado) é tempo da avaliação, em que os professores testam e examinam o nosso progresso e determinam se estamos prontos para uma nova fase, em que os exercícios são mais complexos e rigorosos ... tudo em prol de um melhor aproveitamento das nossas capacidades.
Confesso ... acho que pensei para esta escola o melhor nome possível, porque não lhe consigo pôr defeitos: os professores são uns bem-dispostos, mesmo quando há um ou outro que me prega uma partida com exercícios inventados (porque na "Bem-Estar" tudo é possível, até lanches com salame de chocolate e tartes) ... e os alunos que a frequentam ... bem, nem tenho palavras, parece que foram todos seleccionados do país imaginário "Mais Simpático Não Podia Haver" e tratam-me com uma naturalidade como se já me conhecessem há anos ...
Sinto que nesta escola posso relaxar das preocupações do quotidiano, esquecer os problemas e esforçar-me ao máximo até os músculos me doerem ... e tudo isso sem me preocupar se olham para o que visto, para quem são os meus pais ou para o meu diploma ... porque nesta escola, somos todos iguais e o objectivo dos professores é simplesmente ajudar-me, sem juízos de valor ou preconceitos.
No "Bem-Estar" não há lugar para bilhardices, "cortar na casaca" ou ambições desmedidas ... impera a boa disposição e energia positiva porque estamos todos para o mesmo ... corpo são, para uma mente mais pura e saudável :)
Por isso, é bom voltar à escola!

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

O Remédio da Alma :)

Se o Amor é o tema recorrente deste blog, hoje vou devanear sobre outra das minhas paixões ... a música :)
Sons combinados em harmonia e que já convivem com o ser humano desde o início da nossa existência, na natureza ... através do rufar enfurecido dos trovões, do sacudir das árvores em dias ventosos, do salpicar da chuva fina ao tocar nas plantas, passando pelo alegre chilrear dos pássaros ou pelo canto das cigarras ... e mais tarde, com os instrumentos musicais imaginados pelo Homem ...
Para muitas culturas, o som é uma força divina que se manifesta através das vibrações rítmicas, e na Antiga Grécia havia quem tratasse os doentes fazendo-os ouvir cânticos considerados mágicos ... e já o filósofo Platão afirmava na altura que "a música é o remédio da alma" e que chega ao corpo por intermédio dela. Ainda segundo este filósofo, a alma pode ser condicionada pela música, assim como o corpo pela ginástica.
Não podia concordar mais, pois não concebo viver sem música, e nas horas que passo sem os auscultadores nos ouvidos, ela ecoa na minha mente, como um prolongamento da minha essência ...
A minha Rádio favorita tem um programa que se chama "As Bandas Sonoras das Nossas Vidas", em que os convidados seleccionam as melodias que mais os marcaram ... se me pedissem para escolher o meu TOP 10? Impossível! Tenho centenas de músicas favoritas, desde os anos 80, à música electrónica alemã e inglesa, passando pelo jazz e pelo pop, terminando nas românticas melodias francesas, que me recuso a ouvir quando me sinto mais em baixo ...
Em vez de escolher um CD com uma dezena de faixas, se eu pudesse, faria acompanhar cada momento chave do meu dia (e da minha vida) com canções como "I Can See Clearly Now" (do Johnny Nash) ao acordar ... o tema do "Psycho" para um dia mau no emprego ... o "I´ll be there for You" (da série "Friends) para os bons momentos com os amigos ... "Call on Me" para o ginásio e "We Are Family" para quando estivesse a rever a família querida ... e "last but not least" ... para um encontro com o homem ideal o "Every Little Thing She Does Is Magic", dos fabulosos "The Police" :) Teria temas até para andar à chuva ... a que associaria imediatamente ao inesquecível Frank Sinatra ...
Sei que para onde quer que eu vá, o meu leitor de mp3 vai comigo ... antes era o já velhinho "walkman" e depois o também ultrapassado leitor de CD´s ... escolho ouvir o que o meu estado de espírito determina, e estou sempre ávida de melodias originais e inovadoras, num mundo musical abundante em cópias e reciclagens da música que se fez nos anos 70 e 80.
Agora não posso é deixar de ouvir, e arrepio-me sempre que recordo a cena do memorável "Babel" em que uma jovem japonesa surda vai a uma discoteca e os espectadores deixam de ouvir, como ela, dando um realismo inquietante à acção, já que ela percorre o espaço rodeada por uma multidão, que dança e vibra ao som de uma energia que esta personagem nem sentia ... senti-me sufocada, confesso ...
E se para mim (e para muitos outros), a música é tão importante como o ar que respiro, há que relevar outros aspectos positivos realçados por ciências paramédicas como a Musicoterapia, que defende as vantagens da utilização da música ou dos seus elementos (som, ritmo, melodia e harmonia) para facilitar e promover a abertura de canais de comunicação em autistas ou pessoas com deficiência mental ...
Pois é ... se para muitos a música é o "remédio da alma", para outros poderá ser o "remédio da mente" e isso não é simplesmente fantástico?? Sem contra-indicações ou efeitos secundários a não ser sentirmo-nos bem melhor :)
Para terminar este devaneio, não encontro texto mais apropriado do que este início do fabuloso tema dos Apoptygma Berzerk ... "Kathy´s Song":

"In the beginning
God created the heaven and the earth.
And the earth was without form and void.
And darkness was upon the face of the deep.
And God said: "Let there be light"
And there was light.
And God saw the light that it was good.
And God divided the light from the darkness.
And God called the light day, and the darkness he called night.
And God saw everything that he had made, and behold ... it was good.
And God created man.
And man created machine,
And machine,
Machine created music.
And machine saw everything it had made and said: "Behold" ..."

terça-feira, 3 de novembro de 2009

E depois??

Este domingo assisti à minha primeira Ópera ("Orquídea Branca") e foi como sempre imaginei ... vozes grandiosas, uma orquestra a acompanhar (como antigamente, nos filmes mudos), guarda-roupa sumptuoso e uma história de amor de derreter o coração e deixar-nos com uma lágrima escorregadia no canto do olho ...
Uma Ópera que, para mim, foi magnífica e que contava a paixão proibida entre uma princesa e um jardineiro no século 19 ... no fim, saí do Teatro algo triste pelo infortúnio dos amantes, e a matutar sobre o impacto das diferenças sociais na nossa actualidade.
Quando abordei este tema no "Acreditar sempre no Final Feliz", não fui lá muito positiva, na altura acreditava haver barreiras inultrapassáveis ... mas entretanto, o tempo passou e vivi mais :)
Conheço quem defenda acerrimamente que há diferenças que não se conseguem esbater nem diluir, por mais forte que seja o sentimento, seja pela classe social, idade, credo ou nacionalidade ...
Para alguns enamorados, há barreiras que dificultam a aceitação de quem os rodeia, ou mesmo o entendimento mútuo, reconheço, mas ... e depois?
E pergunto isso, porque tenho a sorte de chamar "amigos" a um casal excepcional, e que por acaso, não partilha a nacionalidade ... o que acarreta a que nem sempre entendam exactamente o que o outro quer dizer, e a que de vez em quando, haja piadas que simplesmente nem vale a pena tentar explicar mas ... e depois??
Há gestos que nunca precisaram de palavras para traduzir um puro e sincero afecto, e basta olhar para eles uma única vez para constatar que, apesar da barreira linguística, partilham tanto, com tão pouco ... um olhar embevecido ... um encostar de testa preguiçoso ou uma carícia na nuca depois de um dia de trabalho ...
E será necessário saber inglês ou espanhol para entender um "amo-te" sussurrado num singelo piscar de olhos?
Apesar do que disse em textos anteriores, acho que a chave é sentir mais e pensar menos ...

Numa sociedade onde cada vez é mais difícil encontrar pessoas de coração aberto, quem é que se achará no direito de criticar e apontar o dedo a um casal só porque ela é mais alta (ou gorda) do que ele, ou porque ele tem dez tatuagens e ela nem furou as orelhas?
Quero acreditar que o Amor não escolhe caras ou corpos ... preferindo gargalhadas, actos de bondade e uma leveza de espírito ...
Quero acreditar que o Amor se ilumina a cada abraço generoso e a cada beijo descolado da alma ... e que não olha para carteiras, diplomas, sotaques, ou BI (a menos que a pessoa em causa seja menor, hehehe) ...

Num mundo em que prolifera a ironia, a desconfiança e a maledicência, deixemos os preconceitos de lado e vamos acreditar que, às vezes, o Amor vence mesmo tudo :)