quinta-feira, 22 de setembro de 2011

PARTE II - O prazo do esquecimento

Infelizmente, nem sempre o amor, por si, é suficiente para manter um relacionamento, já dizia a canção ...
E a verdade é que, por mais que goste de finais felizes, o sentimento acaba ... a paixão nem sempre se transforma em amor e, às vezes, as incompatibilidades e pequenos defeitos são mais fortes e tudo termina ... acaba num fôlego ... 
Fico triste quando sei que certos casais, que irradiavam uma aura de felicidade e boa disposição, se separaram e que, eventualmente, se vão tornar estranhos, passado pouco tempo ...
...
Pois ... "reality check"! A vida não pára, o coração não cessa de bater, ininterrupto ... e, muitas vezes, um novo amor chega, de forma inesperada ...
E por isso me questiono ... qual será o prazo do esquecimento?
Um sentimento vivido a dois, intensamente, em pleno, pode ser esquecido em poucos dias, horas, segundos, tal a velocidade estonteante a que vivemos??
As fotografias, recordações e vivências felizes desvanecem-se num ápice, perante a hipótese de viver uma nova paixão, do início, sem vícios e (ainda) poucos perigos de nos magoarmos??
Tais pensamentos causam-me angústia ... teremos assim tão pouca importância na vida de alguém para sermos secundados, tão rapidamente, nos batimentos cardíacos, memórias, toques e sensações?
...
Ok, "reality check" outra vez! A verdade é que isto acontece quando o sentimento não era assim tão forte ... e cada (ex)casal sabe da sua situação ... mas entristece-me na mesma ...
Não sei se será a insatisfação permanente de tantos de nós, que nos faz querer idealizar um melhor compromisso, ao invés de investirmos no actual.
Mas hoje, mais do que nunca, vejo mais desistências às primeiras dificuldades ... mais separações às desilusões iniciais ... menos vontade de resolver os problemas às discussões mais básicas ...
Serei eu demasiado idealista e romântica? Estarei a ser demasiado exigente ou ingénua nos meandros do amor?
Ou então, se calhar, é mesmo como diz a canção ... "Sometimes Love Just Ain't Enough" e há amores que não são os certos ... e, sendo assim, há que continuar a arriscar na busca pela pessoa que nos fará bater o coração descompassadamente ... para o resto da nossa vida :)

PARTE I - O prazo do esquecimento

Ok, sejamos realistas, nenhum relacionamento é fácil.
Por maior que seja o sentimento, a relação precisa de ser trabalhada, cuidada, mimada, tratada como algo precioso e inestimável, e não como um dado garantido.
O desleixo e excesso de confiança podem pôr em perigo um compromisso, por mais estável e seguro que possa parecer.
Não digo que estejamos sempre "em sentido", mas acho que amar alguém implica querermos sentirmo-nos bem o suficiente para cuidarmos de nós, por dentro e por fora, na esperança de uma vida saudável e longa, vivida a dois ...
Por outro lado, também sei que há toda uma série de constrangimentos que podem dificultar estas "boas intenções", como o cansaço do trabalho, os stresses do quotidiano ... e que nos fazem faltar ao ginásio, comer dois chocolates em vez de nenhum, e queixarmo-nos demasiado, em vez de nos aninharmos no sofá com o nosso querido e perguntar-lhe como correu o dia ...
Achar que os problemas se vão diluir, até desaparecerem de vez, só porque não falamos neles e fingimos que está tudo bem, só atrasa um problema ainda maior, que provavelmente, não terá um "happy end".
Conclusão ... não há fórmulas mágicas para fazer com que uma relação resulte, daí que goste de viver pela lógica de "um dia de cada vez" e pensar que, ao tocar das doze badaladas, o amor está a crescer ... e, sabendo isso, saborear essa pequena vitória como a mais importante ... a única importante ...    

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

A definição do relacionamento ...

Há dias estava no café com um amigo, que comentava comigo que conhecia um casal que só se dava bem a nível sexual. Uma situação que o confundia e incomodava, visto que, para ele, não é somente nisso que um relacionamento deve assentar.
Eu respondi-lhe que "se eles se dão bem, porque não?" ... acho que cada um deve ter uma relação à medida dos seus desejos, independentemente disso ser, ou não, bem "aceite" socialmente.
E dei-lhe como exemplo uma reportagem intrigante que vi há uns tempos num canal televisivo, que falava sobre a chegada do "poliamor" a Portugal, um conceito que já existe nos Estados Unidos há vinte anos e «defende a possibilidade prática e sustentável de se estar envolvido de modo responsável em relações íntimas, profundas e eventualmente duradouras com vários parceiros simultaneamente» (wikipédia) ... e com o conhecimento de todos.
Apesar de a conversa ter ficado um pouco por ali, vim para casa a remoer no assunto e a questionar até que ponto é que poderemos definir um relacionamento como melhor ou pior, certo ou errado, com esta nova forma de estar na vida. Se as pessoas se entendem e estão felizes, não será isso o mais importante?
Mas o que me deixou algo inquieta, porque balança com todas as minhas certezas, foi a resposta à pergunta: será possível amar duas ou mais pessoas ao mesmo tempo? (é que a definição é "poliamor" e não "polipaixão") ...
E independentemente disso, será este o futuro dos relacionamentos? Já escrevi sobre as relações "fast-food", mas estarão as pessoas tão descrentes no Amor para a vida toda, que preferem reparti-lo por várias "hipóteses" de caras-metades?
E as dúvidas continuaram a borbulhar, emergentes, na minha mente ... se actualmente vemos (na minha perspectiva, pelo menos) que as pessoas são cada vez mais exigentes e lutam menos afincadamente pelo sucesso de uma relação - quando esta não lhes parece dar o que esperam - como conseguirão gerir duas ou mais?
Ou se, por outro lado, tendo mais do que um amante, a pressão das expectativas acaba por se diluir e o namoro ganha nova energia com isso?
... ai ai 
O mais curioso é que há uma série que passa num dos canais da FOX que se chama "Big Love" e que segue a vida de um homem que vive com as suas três mulheres e respectivos filhos, debaixo do mesmo tecto, em harmonia, respeito e são felizes! 
Vejo-a de vez em quando, para tentar entender a lógica da poligamia, mas sem grandes resultados, confesso, porque eu ... mulher ... ciumenta quanto baste e muito sensível, sei que o meu coração se partiria em mil bocados se visse aquele que amo beijar outra mulher com a mesma intensidade e paixão com que me beija a mim, então engravidá-la e vivermos juntos?? Não me parece! (lá se vai a tolerância, hehehe ...)
Mas fico confusa ... será que o ocidental rejeitou a poligamia para uma melhor e mais eficiente organização/gestão social e ela ainda reside em nós, pulsante e a aguardar que as mentalidades mudem? 
Bem ... a verdade é que não consigo ser imparcial nesta questão, porque sou uma mulher de muitas paixões mas de um só Amor ... aquele a quem me dedico de corpo e alma, por quem suspiro, por quem o coração bate descompassadamente, aquele que me queima a pele ao toque e que me faz suster a respiração por breves segundos quando se aproxima para um tocar de lábios apaixonado ... e não sou capaz de sentir isso por duas pessoas ao mesmo tempo ...
Posso parecer antiquada face a esta nova forma de pensar os relacionamentos, mas prefiro viver plenamente o mais belo sentimento do mundo com um só homem, com todos os seus defeitos e falhas, do que esbater-me em "poliamores" e nunca ser inteira para nenhum ...

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

"Adeus", por Eugénio de Andrade

Sempre quis escrever sobre o sentimento de desprendimento e indiferença que (infelizmente) se cola a nós no fim de um relacionamento ... como olhamos de forma tão diferente para a nossa paixão, depois de o amor acabar ... faltavam-se-me as palavras, Eugénio de Andrade encontrou-as por mim ... 


 Adeus

«Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mãos à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.

Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro;
era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.
Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes.
E eu acreditava.
Acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.

Mas isso era no tempo dos segredos,
era no tempo em que o teu corpo era um aquário,
era no tempo em que os meus olhos
eram realmente peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.

Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor,
já não se passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.

Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.

Adeus.»


(Eugénio de Andrade)

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

O prazo do sentimento (e sim, ainda continuo lamechas)

Vi hoje um filme ternurento, "Cartas para Julieta" e que me deixou lamechas quando saí do cinema.
Sem querer estragar a história, o filme fala sobre uma senhora que procura um amor perdido no tempo e que já não vê há cinquenta anos.
Independentemente de como acaba esta comédia romântica, gostei muito da ideia que pretende transmitir ... a de que um amor verdadeiro resiste ao passar da areia na ampulheta e às contrariedades e que, quando gostamos realmente de alguém, nunca é tarde demais para viver esse sentimento ...
Achei uma mensagem realmente positiva, principalmente nos dias que hoje correm e quando me faz tanta confusão o estado a que o ser humano chegou ... fechamos o coração, desconfiando de tudo e todos, sempre de pé atrás para nos protegermos da dor e acabando muitas vezes por não existir em pleno, com medo de somar mais uma decepção.
E eu, que voltei recentemente a sofrer mais uma desilusão, posso afirmar sem sombra de dúvida que continuo esperançada no mais belo sentimento do mundo. Tive a sorte de encontrar alguém que me voltou a fazer confiar na decência e hombridade masculinas e, apesar de não ter resultado, fui feliz enquanto durou.
Porque para mim, a vida é isso mesmo ... lembrarmo-nos com carinho dos melhores momentos, aprendendo com os momentos menos bons e crescendo pelo caminho.
Não estou rancorosa, nem magoada, estou triste sim, mas com a esperança renovada nos relacionamentos e a expectativa de que vai correr tudo bem para a próxima ...
O filme "Cartas para Julieta" mostra isso também, que viver não é fácil, mas que vale sempre a pena arriscar amar, entregarmo-nos sem reservas, dar tudo sem esperar nada em troca e ver o que acontece ... seguir o coração e simplesmente ... sentir ... 
Temos de continuar a acreditar no final feliz, porque um dia ele acaba por chegar e temos de o abraçar sem reticências ...
E como me disse há tempos uma grande amiga sobre o que deve ser o amor:  «sim, tem que ser como nos filmes!» ... em que nos apetece cantar e dançar na rua, querer abraçar toda a gente e, pelo meio, suspirar de 5 em 5 minutos com um sorriso parvo na cara ...
Um sentimento em que o dia fica melhor assim que o vemos, que faz partir o nosso coração em mil pedacinhos quando ele está triste, mas que rejubila quando ele nos manda uma mensagem a dizer «gosto de ti» ...
Porque se não for assim, não é o amor que eu quero e não serve para mim ... hei-de esperar o tempo que for necessário e mais algum ... e se ficar para tia, hei-de ser feliz na mesma ... porque já me sinto inteira sozinha, um amor só me tornará ainda mais resplandecente :)  

sexta-feira, 30 de julho de 2010

O peso da solidão ...

Este é um blog que respira através da minha inspiração, que tem andado algo cansada ... mas depois de uma conversa de café, voltei a sentir a urgência de escrever sobre a forma como a solidão nos pode afectar e condicionar a existência.
Isso porque há dias conversava com uma amiga sobre uma conhecida nossa ... uma senhora espectacular e que sei estar com alguém que não lhe acelera o coração, nem a trata particularmente bem, mas que a dita senhora não consegue deixar. 
Ele dá-lhe migalhas de afecto, não a faz rir até ficar sem fôlego e raras vezes a defende perante quem realmente importa. E ela sabe disso e sujeita-se, contentando-se com o pouco que recebe ... e vai dizendo aos outros (e tentando convencer-se a si própria) que ele lhe faz companhia, até lhe dá a mão quando andam na rua e que assim sempre pode sossegar a mãe, porque "agora não acaba os dias solteira".
E fico triste por pensar que esta senhora, um ser humano decente e de quem gosto muito, tem consciência que esta não era a relação que desejaria, mas uma aceitável ... e vai vivendo um dia de cada vez, acreditando que os sentimentos vão mudar e crescer ... e quem sabe, um dia, até pode chegar a amá-lo ...  e ele a ela?
Mas enquanto esse despertar do coração não chega, ela está acomodada num relacionamento opaco, porque a alternativa é muito pior ... é continuar só ... e estar carente de afecto, de um carinho, de um toque mais íntimo ... e chegar todos os dias a uma casa vazia ... de voz e de calor humano ... e noite após noite, dormir sozinha, numa cama em que é o cansaço quem a embala e não o abraço de alguém especial ...
Perdoem-me pelo desalento, mas conheço tantas pessoas assim, que se tornam "realistas" e desistem de encontrar uma relação que as faça rebentar de alegria, permitindo-se amar perdidamente ("e dizê-lo cantando a toda a gente"), porque deixaram de acreditar na magia do romance ... 
Na minha forma de pensar, entendo que quando somos novos, a frescura do espírito renova-nos a força para voltar a apostar no mais belo sentimento do mundo ... mas à medida que os anos vão passando e as rugas nos vão marcando a face, a esperança começa a esfumar-se, levando com ela todas as expectativas e sonhos de juventude ... e quero (sinceramente) estar enganada, mas é isto que vejo e ouço das pessoas que me rodeiam ...
Por outro lado - e enquanto romântica confessa - custa-me reconhecer que o amor não acontece por magia, por mais que queiramos. E que a realidade acaba por não ser tão "fofinha" como nos filmes, em que há sempre o "happy end" ... 
Ainda que por vezes aconteça o inesperado a alguns sortudos, que vivem autênticas histórias de amor (felizmente, conheço alguns casos!), cada vez mais acredito que a felicidade é uma conquista ... não cai do céu ... e que muitas vezes temos de ser nós a dar o primeiro passo, se calhar um passo maior do que a nossa perna, mas arriscar um "leap of faith" ... porque a felicidade não pode ser medida pelos medos, mas pela esperança numa realidade melhor ... 
E preciso mesmo, mesmo de acreditar que, apesar da solidão ser madrasta para muitos, há quem consiga conviver com ela e prefira estar só do que com alguém que não a deixe com borboletas no estômago! 
E falo por mim, eu preciso de quem me faça sorrir o coração e continue a gostar de mim, mesmo depois de ouvir as minhas gargalhadas sonoras no cinema ... porque é assim que deve ser :)

terça-feira, 6 de abril de 2010

A Ilusão do Ser ...

Não me querendo armar em socióloga nem em psicóloga, tenho andado a reflectir sobre o impacto que a forma como nos vemos tem na nossa existência e como isso determina a percepção que temos do mundo e, por conseguinte, a nossa relação com ele, para o melhor e para o pior ... seja nos relacionamentos amorosos, amizades ou trabalho.
E digo isto porque me sinto triste e impotente com o comportamento de certas pessoas que conheço e que sei serem fantásticas, lindas por dentro e por fora e que simplesmente não conseguem reconhecer o seu potencial e valor, pela forma deturpada e pessimista como se vêem.
É a tão conhecida e falada falta de auto-estima, não tão grave como a anorexia ou a dismorfofobia (um transtorno em que há um sentimento crónico de não aceitação da imagem corporal), mas que provoca grandes transtornos em pessoas que não gostam tanto de si como deviam. 
Um mal-estar com elas próprias que poderá ser resultado de uma infância difícil, pais controladores e exigentes demais, amigos e familiares invejosos e mesquinhos, ou até traumas difíceis de ultrapassar, num acumular de más experiências que as tornam em adultos inseguros, que acham que têm pouco valor e não merecem ser felizes, contentando-se a maior parte das vezes com migalhas de carinho e reconhecimento.
E quando eu encontro seres humanos maravilhosos, repletos de qualidades, mas a sofrerem desta maleita e com o ego completamente espezinhado, só me apetece abaná-los repetidamente, até que eles acordem desta ilusão e se vejam como eu os vejo, no espelho certo e não naquele que têm em casa e em que vêem um reflexo cinzento e sem brilho.
E revolta-me não conseguir que tenham este discernimento e não se vejam como as pessoas espectaculares que são, enquanto há outras que têm o ego inflacionado e andam por aí com o nariz empinado demais e como se tivessem o rei na barriga, a julgarem-se melhores do que os outros ... e pior, tratando muitas vezes de forma jocosa estas almas boas. 
Sei que o mundo não é justo e que cada um tem de lutar com as armas que tem, não vou agora ser hipócrita, mas faz-me confusão que certas pessoas não lutem pela felicidade que merecem pela ideia que fazem delas próprias ... e andem por aí perdidas, cabisbaixas ... anónimas ...
Seres iludidos, acordem! Somos todos diferentes, seja pela cor da pele, estatura ou peso e é verdade, nem todos podemos ser modelos, mas TODOS temos um coração vivo e vibrante, que pulsa ansioso por afecto e uma vida que merece ser vivida no seu pleno.
E privarmo-nos do milagre que é viver por causa de inseguranças é inadmissível para mim!! Daqui a uns anos nem nos vamos lembrar de metade (com as devidas excepções para os casos mais graves) ...
Muitas vezes, somos os nossos piores críticos, mas o que são uns pneuzinhos a mais quando temos uma simpatia vibrante, o que são uns centímetros a menos (estou a pensar na altura, LOL) quando ajudamos o próximo sem esperar nada em troca ...
Em vez de olharmos para os nossos defeitos e falhas (todos os temos!), orgulhemo-nos das qualidades que as pessoas que gostam de nós adoram ... a nossa generosidade, boa disposição, largo sorriso e amizade.   
Vamos aproveitar a vida, pormo-nos mais vezes em 1º lugar e amar a pele que vestimos!!
E se se sentirem em baixo, venham falar comigo ou desabafem à vontade neste blog, eu tenho um vocabulário extensíssimo em elogios (sinceros, sempre!) e já diz a publicidade «se eu gostar de mim, quem não gostará?»

quarta-feira, 17 de março de 2010

O elogio à ignorância ...

Tenho um amigo que acredita que a felicidade é pura ilusão e que as pessoas realistas são pessimistas por Natureza. Essa lógica fez-me lembrar o heterónimo de Fernando Pessoa, Alberto Caeiro, que dizia que "pensar é estar doente dos olhos" ...
Lembro-me de em criança - antes de "aprender" a pensar - sentir essa felicidade plena e viver numa ignorância tranquila, em que eu sabia que qualquer problema que surgisse era prontamente resolvido pelos meus pais ... para mim eles não tinham defeitos, eram super-heróis :)
E podem rir, mas eu cresci a pensar que todas as pessoas eram assim: bondosas, sempre prontas a ajudar e que se magoassem alguém seria por descuido, nunca de propósito ... a minha enorme ingenuidade de então fazia-me vislumbrar sempre o melhor dos outros e "cegar" a qualquer acto mal intencionado.
À medida que fui crescendo, apercebi-me de que o mundo não é cor de rosa ... uma verdade que me atingiu da forma mais dolorosa, a tão famosa perda da inocência, a fase em que percebemos que temos de começar a tomar conta de nós e que as pessoas que idolatramos também falham ... 
Tudo isto para dizer que nestes últimos anos e depois desse despertar abrupto, o que me estava a custar a entender era o porquê de certas pessoas fecharem o coração e tornarem-se desconfiadas ... achava-as tontas e descrentes no mais belo sentimento do mundo ... e sempre disse a mim própria que isso nunca me ia acontecer ...
Disse? Dizia ... porque quanto mais me decepciono, mais tenho saudades dos meus tempos de menina, em que acreditava que tudo se resolvia a conversar e que as pessoas eram sinceras no que diziam ... agora só me dá vontade de rir e chorar ao mesmo tempo ...
Não me tornei repentinamente pessimista, mas tenho noção de que era bem mais feliz quando via o mundo pelos tais óculos com lentes da cor do arco-íris e a noção de  "engano" não existia no meu dicionário ...
No fundo, sei que a maior parte das vezes me iludo conscientemente, mas só porque a alternativa me é insuportável: constatar que há quem magoe outros propositadamente e até com prazer, que é maledicente de forma gratuita e não se importa com o seu semelhante ... sinto um tal asco e mal-estar que a maior parte das vezes prefiro fingir que não vi, não percebi ou nem ouvi ...
Não defendo com isto o "Síndrome de Peter Pan", a recusa em crescer, nem nada que se pareça, mas prefiro ser uma pessoa feliz na minha "simulada" ignorância do que esvaziar-me de ilusões e tornar-me num corpo vazio de expectativas e esperanças ... 
Por mais irrealista e quase tolo que possa parecer, quero continuar a acreditar no melhor das pessoas, a dar segundas e terceiras oportunidades (mesmo que depois me desiluda), a achar que os empurrões e pisadelas não eram intencionais e que há quem ainda fale verdade quando diz "amo-te" ... preciso disso para me manter sã, lúcida e para que a criança que (ainda) idolatra os pais nunca desapareça ... 
E porque este é um elogio à ignorância, termino com um poema que dispensa apresentações:  
  
O Mundo não se Fez para Pensarmos Nele

O meu olhar é nítido como um girassol.
Tenho o costume de andar pelas estradas
Olhando para a direita e para a esquerda,
E de vez em quando olhando para trás ...
E o que vejo a cada momento
É aquilo que nunca antes eu tinha visto,
E eu sei dar por isso muito bem ...

Sei ter o pasmo essencial
Que tem uma criança se, ao nascer,
Reparasse que nascera deveras ...
Sinto-me nascido a cada momento
Para a eterna novidade do Mundo ...

Creio no mundo como num malmequer,
Porque o vejo. Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender ...

O Mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo ...

Eu não tenho filosofia: tenho sentidos ...
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso,
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe por que ama, nem o que é amar ...
Amar é a eterna inocência,
E a única inocência é não pensar ...

Alberto Caeiro, in "O Guardador de Rebanhos - Poema II"

domingo, 14 de março de 2010

As expectativas da Felicidade ...

Há dias uma grande amiga colocou-me uma boa questão ... se será preferível estar com alguém por quem não estamos loucamente apaixonadas, mas que nos trata com afecto, carinho e respeito ... ou procurar o amor romântico, aventureiro e imprevisível como é retratado nos livros e filmes e que, na vida real, acaba por estar representado num "bad boy" que nem sempre nos trata como merecemos ... 
Hesitei na resposta ... se por um lado acho que todos merecemos o "big L" e que o amor tem de ser vivido na sua plenitude - pois não será justo estar com alguém que me ame verdadeiramente e não ser recíproco (e vice-versa) - sei também que às vezes idealizamos este sentimento de uma forma algo irrealista (eu culpo a literatura e o cinema!) ... 
Penso mesmo que a ideia do que o amor deve ser é muitas vezes sobrevalorizada e acabamos por desperdiçar a oportunidade de sermos felizes com alguém porque à partida não fazia "o nosso género". 
Se me perguntassem há algum tempo a mesma questão, não haveria dilema e a minha resposta seria pronta e firme: quero o homem da minha "lista da mercearia"!! 
Mas agora que vivi um pouco mais e vou somando desilusões, vejo caírem por terra muitas das minhas certezas e convicções no que toca ao assunto Amor. 
Ai ai ... espanta-me constatar a rapidez com que tenho mudado a minha forma de olhar para o mais belo sentimento do mundo, cada vez menos romântica e ingénua ... pensava que não seria nada complicado encontrar a felicidade ao lado de alguém que me completasse e agora sinto que me estou a tornar numa pessoa descrente e mais desconfiada ... e temo nunca mais voltar a ser como era ...
Calma, dirão os meus amigos ... um dia de cada vez! Assim sendo, a minha resposta à  pergunta sobre as expectativas da felicidade é que neste momento prefiro estar só a viver um sentimento mais morno ... ainda não estou disposta a prescindir da esperança em encontrar alguém especial. 
Por outro lado,  também estou mais realista e começo a compreender que haja quem privilegie a estabilidade e segurança num relacionamento em detrimento de uma paixão arrebatadora ... 
E infelizmente, também conheço quem não aguente estar só e se contente com "gostar" em vez de "amar" ... porque ao fim de algum tempo a solidão mói e dói de tal forma que faz mirrar o coração, até mergulharmos numa tristeza dolorosa que nenhuma amizade ou familiar consegue atenuar ... 
Apesar de estar rodeada por pessoas que gostam de mim e me valorizam pelo que sou, ainda continuo a achar que estar apaixonada é revigorante a todos os níveis e que nada consegue substituir essa sensação ... uma chatice, digo eu!!
Pois é, acabadas as certezas, chego à conclusão de que independentemente das opções de cada um, há que viver um dia de cada vez, com um sorriso nos lábios e esperança na alma e ver o que acontece ... porque o melhor da vida é que ela não cessa de nos surpreender :)

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Ai, a minha vida ...

O Dia de São Valentim deixou-me a reflectir na forma como actualmente se vivem as relações e a temer o pior num futuro próximo ... 
Por exemplo, no que toca à traição, tenho plena consciência de que sempre foi um tema recorrente e se há umas gerações as mulheres tinham de se sujeitar às "escapadinhas" dos maridos, por não trabalharem e não terem forma de se sustentar, também sei que havia senhoras que procuravam um "ombro amigo" quando os maridos eram ausentes e não lhes davam atenção. Além dos factores económicos, as traições eram "abafadas" pelo facto dos divórcios serem mal vistos pela sociedade de então.
Não quero com isto desculpar ninguém e, fossem quais fossem as razões, reconheço que a traição não é exclusiva do sexo masculino, mas confesso ouvir muitos mais casos de traidores do que de traidoras (desculpem lá, homens ...)
Mas o que mais me inquieta na traição é a despreocupação e ligeireza de quem a pratica depois de ter assumido um compromisso, seja o namoro ou o casamento (para mim, a responsabilidade é idêntica).
Revolta-me e repugna-me mesmo saber de indivíduos que, perante a sociedade, são os "companheiros perfeitos" e apregoam aos "sete ventos" o quanto amam a pessoa com quem escolheram estar e depois, num momento de fraqueza, vulnerabilidade ou cansaço da monotonia, têm comportamentos inapropriados e que desrespeitam claramente a pessoa com quem estão.
Chamem-me antiquada, ingénua até, mas eu acredito na fidelidade plena quando escolhemos partilhar a vida  com alguém e vou até ao ponto de afirmar que quem não se sente capaz disso, não deve assumir um casamento "até que a morte os separe". Há coisas que não se fazem de ânimo leve!
Preciso de acreditar que num relacionamento, por mais longo que seja, o ego e a vontade de "quero ver se ainda não perdi o jeito e continuo atraente" não se deveria sobrepor à mágoa, tristeza e à desconfiança que as traições acarretam ... 
Não entendo como é que o risco, a emoção e a adrenalina de viver um "affair" possa ser mais importante do que manter um sentimento há muito acarinhado ... e muito menos concordo que haja "deslizes" que salvam um casamento (até podem salvar, mas só se nunca forem descobertos, hehehe ...)
Aparte a gracinha, recuso-me terminantemente a aceitar que a traição é um mal menor e que é melhor fechar os olhos e perdoar, do que acabar com um casamento de décadas e ficar sozinha/o ...
... (mas sei o quanto custa a solidão) ...
O pior é que quando leio os meus textos iniciais, percebo que estou a ficar menos romântica e confiante na esperança de encontrar o homem certo. Não me considero muito exigente, porque acho que não é pedir demais alguém que me ame e respeite e que goste de me tratar bem e mimar ... 
Infelizmente, tenho encontrado homens que só se querem divertir "sem compromisso", o que para mim é mais uma desculpa para justificar a promiscuidade ...
Sei que há homens decentes, mas os que conheço ou são família (e há a chatice da consanguinidade), ou estão comprometidos ... ou são homossexuais (o que é realmente uma pena ... para mim claro!) :P
Sentir-me sozinha deixou de ser novidade e acho que me vou habituando à ideia de que o homem que procuro só existe na minha imaginação, mas caramba, sou assim tão difícil de satisfazer que terei de me resignar a estar com alguém que me liga duas vezes por semana e saltar de contente por ele se ter lembrado de mim?
Esta sociedade de relações "fast-food" estará manchada por uma mentalidade tão livre e despudorada que querer um relacionamento (e ainda para mais que ele me seja fiel) é assim tão absurdo e descabido?
Nesta vida apressada e em que conhecer (e descartar) pessoas é tão fácil como escolher produtos no supermercado, estará o Amor no fim da nossa lista de prioridades?
Quando eu era criança, achava que os adultos complicavam coisas tão simples - e ainda continuo a achar o mesmo - mas não vou mudar a minha mentalidade algo adolescente ... apesar das desilusões, vou continuar fiel a mim própria e a preferir estar sozinha do que aceitar um homem que não me respeita, achando que ele vai mudar um dia ... ou um "menino da mamã" que não me defenda perante as provocações da matriarca e, definitivamente não vou ficar ao lado de quem não é capaz de dar o braço a torcer e mostrar que gosta de mim, mesmo quando eu não tenho razão ... 
É claro que gostava de ter alguém a meu lado, mas não me vou sujeitar novamente a ser relegada para segundo plano por quem não me sabe valorizar ... mereço ocupar o 1º lugar  no coração de alguém e permanecer lá, como uma tatuagem :) 
Ele anda por aí ...

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Um Sopro de Esperança ...

Vi hoje o extraordinário filme "Up in the Air" e AMEI!! É o meu tipo de filmes favorito, que tal como "The Curious Case of Benjamin Button" e "Revolutionary Road", me deixam com uma ligeira inquietação, um desconforto miudinho e um formigueiro no cérebro, que me obrigam a reflectir e a repensar a forma como levo a vida ...
Normalmente, chego sempre à mesma conclusão ... ADORO a minha vida e sou mesmo uma sortuda por tudo o que tenho, daí acreditar que tenha de continuar a defender a minha filosofia de vida ... positiva, alegre e mostrando a quem me rodeia de que a felicidade está ao alcance de todos, se a conseguirmos ver com olhos de ver ...

Dou-vos o exemplo deste filme, com a magistral actuação do George Clooney, que interpreta um homem com uma vida algo insípida e vazia e que, tendo uma profissão que o obriga a viajar grande parte do ano de avião, tem como extravagância querer acumular um número absurdo de milhas de passageiro frequente ...
Um solitário sem amigos e que raramente vê a família, acreditando que os laços que criamos com as pessoas são objectos pesados e dispensáveis que carregamos na vida, que compara a uma mochila.
Uma forma de viver e de pensar desprendida e sem compromissos e com a qual este personagem até estava satisfeito, até ao dia em que conhece uma mulher, por quem acaba por se apaixonar e que revoluciona o seu mundo ... a partir daí, todas as certezas se desvanecem e a vida que achava organizada, perde sentido ... fica vazia ...
E o filme coloca uma pergunta, que achei deliciosa: "nos teus momentos e memórias mais felizes, estavas sozinho ou acompanhado?" ... a maior parte de nós responderia "acompanhada/o", porque se pensarmos bem, as coisas boas que nos acontecem assumem a sua plenitude quando as partilhamos com quem amamos, certo?
"A vida é melhor com companhia, toda a gente precisa de um co-piloto", dizia o personagem do Clooney a dada altura ... e não é verdade que quando tudo à nossa volta se desmorona (seja por uma doença ou problemas no emprego) é a família e amigos que nos recompõem e dão força para enfrentar as contrariedades?
Pois é ... filmes como este só vêm confirmar a minha teoria de que devemos elogiar mais e criticar menos, conservar uma certa ingenuidade, sem sermos tontos, acreditar SEMPRE na bondade humana e claro, rir muuuuuito!!
Posso parecer um disco rachado, mas nunca me vou cansar de anunciar ao mundo que a felicidade está em apreciar as nossas vitórias, por mais pequenas que sejam e desvalorizarmos as coisas menos boas do dia-a-dia ... faço por afastar sentimentos negativos como a mágoa, raiva e desprezo .... acho que a vida é demasiado curta para a gastarmos com lamentos que só nos desgastam e não nos tornam pessoas melhores ...
Sei quem são e onde estão as minhas prioridades e é por saber a importância que a família e amigos têm na minha vida, que mal consigo ouvir os relatos da catástrofe no Haiti.
Ainda hoje uma amiga me alertou para uma reportagem na televisão sobre um homem que tinha perdido tudo, mulher e filhos ... nem precisei de olhar para o ecrã para os olhos ficarem imediatamente marejados de lágrimas e o coração apertado ao tentar imaginar o sofrimento daquele ser humano ...
Por isso e porque a maior parte de nós se esquece da sorte que tem, terminava este texto com um apelo à solidariedade de todos quanto me lêem ... vamos ajudar quem tanto precisa ... de um estender de mão, de um sopro de esperança ...
Deixo aqui vão algumas sugestões, consideradas pela DECO como organizações de confiança:


- AMI - Missão de Emergência no Haiti: www.ami.org.pt/default.asp?id=p1p7p28p827&l=1
A Assistência Médica Internacional (AMI) lançou uma campanha de ajuda ao Haiti apelando à sociedade civil que participe com donativos. Encontra-se aberta uma conta de emergência Haiti com o NIB: 0007 001 500 400 000 00672 ou Multibanco: Entidade: 20909 Referência: 909 909 909.


- Cáritas Portuguesa: www.caritas.pt/noticia.asp?caritaid=1&noticiaid=2927


- Cruz Vermelha Portuguesa: www.cruzvermelha.pt/cvp_t/
As formas de donativo para o Fundo de Emergência da Cruz Vermelha Portuguesa – apelo vítimas do Haiti, são as seguintes:
1. Nas caixas multibanco ou por netbanking, optando por “pagamento de serviços” e marcando entidade 20999 e referência 999 999 999.
2. Nas caixas multibanco, optando por “Transferências” e “Ser Solidário” (campanha SIBS). Seleccionar opção “Factura” para obter logo o comprovativo de donativo para efeitos fiscais.

- Oikos - Angariação de Fundos "Emergência no Haiti": www.oikos.pt/index.php?option=com_content&task=view&id=360&Itemid=70


Obrigada!

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Ser ou não ser ... eis a questão!

Ok, o Amor pode mover montanhas, mas não tem agitado a inspiração desta piquena ... e vai daí, decidi diversificar os meus devaneios, sendo que neste texto vou desabafar sobre um assunto que me deixa os nervos em franja e que considero ser extremamente delicado: o que é ser racista?
O dicionário refere que o racismo é a "atitude preconceituosa e discriminatória contra indivíduos de determinada(s) raça(s) ou etnia(s)".
Posto isto, nunca me considerei racista, já que sempre achei que o carácter e a integridade de um ser humano nada têm a ver com a cor de pele ou forma do cabelo, mas com a educação que teve e o ambiente em que cresceu ... e mesmo isso não é determinante.
Todos conhecemos famílias equilibradas que têm "ovelhas negras" e, por outro lado, filhos de pais violentos que conseguem ultrapassar isso e serem adultos pacíficos e generosos.
Gosto de acreditar que, independentemente dos modelos que nos vão inspirando de uma forma ou de outra (na família, escola ou amizades) e porque, infelizmente, nem todos temos a sorte de nascer numa boa família ... acabamos por conseguir discernir os bons dos maus exemplos, pensar pela nossa cabeça e tornarmo-nos na pessoa que queremos ser ...
Pensando assim e por nunca ter rotulado uma pessoa pela sua naturalidade, sempre achei não ser racista, até ao dia em que me perguntaram se eu era capaz de casar com um negro ... ao que eu respondi "provavelmente, não" (ainda que abrisse uma excepção para o Seal ou Taio Cruz) ... tendo recebido a pronta resposta: "então és racista!!"
O quê?!

Logo eu, que sempre detestei anedotas racistas e sou a primeira a criticar quem acha engraçado gozar com os negros (há quem ache que eles tenham de ter "fair-play" quando são achincalhados) ... eu??

Estarei baralhada? Para ser completamente "não racista" teria de estar disposta a casar com qualquer raça do planeta? E as minhas preferências em relação ao sexo oposto? Nunca escondi ter um fraquinho por homens de olhos claros, uma panca por asiáticos e não dar muita atenção aos louros (tipo Ken) ... isso faz de mim racista e xenófoba??
Não consegui levar os meus argumentos por diante na conversa que tive e agora sou encarada como sendo "algo racista" ...
Apesar de respeitar esta opinião (são formas de pensar diferentes), sinto-me algo injustiçada, porque nunca maltratei ninguém por causa da sua raça ... trato e respeito todos por igual e espero igual tratamento, independentemente da cor da pele, formato do nariz ou tamanho dos pés ...
E vou mais longe ao afirmar que em pleno século 21 a palavra "racista" já nem devia existir, porque discriminar alguém por causa de uma cor de pele ou sotaque diferentes, para mim, só revela a estupidez de quem se sente inferior e é covarde demais para o admitir! E estas pessoas, sim, eu desprezo!
E tenho dito ... love and peace, my friends :)

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

BeautifulPeople.com

Surgiu recentemente uma nova rede social, a "BeautifulPeople.com", em que, basicamente, só entram pessoas lindas ...
O seu fundador, um dinamarquês de 32 anos chamado Robert Hintze, não podia ser mais claro: "os outros sites são selvas de hipopótamos e bodes. A "BeautifulPeople.com" é uma reserva de caça magnífica de leopardos e gazelas" (simpático, não é?) ...
Mas melhor do que isso é a missão do site: "criar uma comunidade mundial perfeita de beleza." UAU, esta é que é uma causa louvável!!

Confesso que por curiosidade naveguei na página e é como se lê nas notícias: qualquer pessoa pode inscrever-se no portal, ainda que a probabilidade de não ser aceite seja muito forte. Os promotores do site calculam que a taxa de sucesso entre os que se candidatarem seja de apenas 20%.
O processo é simples e rápido: a pessoa envia uma foto e um perfil. Nas 48 horas seguintes, todos os membros do sexo oposto votam se querem ou não que o candidato a membro seja admitido. Durante a votação, o candidato tem acesso a um gráfico em tempo real com a sua cotação e poderá ver, através da cor verde ou vermelho, se vai ou não entrar.
E as estatísticas desta rede social demonstram bem o impacto que tem tido junto das pessoas "lindas": desde que começou, o site deu origem a "10 mil relacionamentos" e destas relações nasceram "400 bebés bonitos".
Sem querer ofender (muito) quem concorda com esta ideia, eu penso que é do mais fútil e preconceituoso que tenho ouvido falar ... não nego a importância que o factor atracção tem para mim na escolha da cara-metade, mas considero que a beleza é subjectiva e um homem que eu penso ser atraente, poderá não o ser para outra mulher ... já diz o ditado "Quem ama o feio, bonito lhe parece" :)
E pensar que é uma cambada de pessoas, cuja beleza não tem qualquer mérito nem representa qualquer conquista (foi herdada), quem vai determinar se eu sou bonita ou não? Não me parece!
A beleza não é uma qualidade "per se", nem torna ninguém mais apto para se sentir melhor do que o seu semelhante e portanto, para mim, esta é mais uma desculpa para reforçar a superficialidade e estupidez crescentes na nossa sociedade.
Mas ... como mulher coerente que penso ser, sei também que vivemos numa democracia e como tal, as pessoas têm o direito de querer pertencer à "BeautifulPeople.com", já que o pior que pode acontecer é ficar com a auto-estima beliscada, se rejeitados ... e quem é aceite, pode conseguir casar com uma "Barbie" ou um "Ken" e viver felizes para sempre :) E isso é sempre bom, certo? (tenho de parar com as ironias ...)
De qualquer forma, ao escrever estas linhas, recordo-me de ter visto na televisão que no maravilhoso país que deve ser a Mauritânia, o ideal de beleza para os homens são as mulheres gordas e com estrias!! Lá, a magreza das meninas é considerada um sinal de doença e fraqueza ... e se eles o dizem, quem somos nós para contestar?
Ok, brincadeiras à parte, esta forma de pensar, tão diferente da do mundo ocidental, só reforça a minha ideia de que o conceito de beleza é subjectivo e varia conforme o país, cultura ou época em que nascemos ...
E agora, muita atenção para quem sofre do síndrome "baixa auto-estima": é por esta razão ... por haver mil e uma formas de pensar, que temos de nos valorizar mais e gostar de nós como somos, pois já dizia a Helena Rubinstein, "Não existem mulheres feias, só desleixadas" e se há homens que gostam de mulheres altas e esguias, há também os que preferem as baixas e mais fofinhas (ufa!) ...
Conclusão: somos todos diferentes, uns mais vistosos do que outros, mas cada um de nós é especial à sua maneira :)

Termino voltando a citar uma frase do fabuloso "O Principezinho", "só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos" ... e não será por causa disso mesmo que beijamos de olhos bem fechados? Para ouvir atentamente o bater em uníssono dos corações ... que não se importam com a cor da pele, nacionalidade, ou medidas 86x60x86 :)

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

A Escola do Bem-Estar ...

Há cerca de um ano voltei a estudar, mas numa escola diferente daquela em que nos ensinam Português, Geografia e Matemática ... gosto de lhe chamar "Escola do Bem-Estar" :)
Nesta escola, tenho aulas às horas e aos dias que me convém e as matérias são sempre diferentes ... ora posso pular num trampolim, levantar pesos, pedalar furiosamente numa bicicleta ou dançar ao som de uma valsa ... há para todos os gostos ...
E os professores, apesar de exigentes, acolhem-me sempre com um sorriso aberto e com uma paciência infinita quando mostro preguiça nas aulas ... acompanham-me atentamente exercício a exercício, corrigindo-me quando faço mal o que me tinham pedido e tendo também presença de espírito para saberem castigar-me quando não me esforço o suficiente, incitando-me a repetir ...
Quem frequenta o "Bem-Estar" tem logo de decorar a regra de ouro (que é recente): quem reclama, repete o exercício 5 vezes ... "É como na tropa!", dizem-me eles :)
Desde criança que a aula de Educação Física era sempre a disciplina em que tinha a nota mais baixa e sempre preferi dedicar-me ao intelecto do que a jogar à bola com os colegas e, por isso, continuei a ter notas vergonhosas nas outras escolas do género do "Bem-Estar" que frequentei nestes últimos anos ...
Surpreendentemente, estou a aplicar-me bem mais nesta escola em que estou agora ... já não tenho tantas faltas de presença e penso mesmo que vou conseguir passar o ano com nota positiva :)
Mas acho que é porque no "Bem-Estar" não há monotonia, estamos constantemente a ser surpreendidos com actividades divertidas e não só: organizam visitas de estudo para aprender mais sobre temas como a História Antiga de Roma (em que até vídeos nos dão para ver), passeios de barco, jogos de aventura e até bailes de máscaras ... há também desfiles de moda e cocktails saudáveis, para que nada nos falte!
Ainda assim, não são só "fun and games" ... de três em três meses (para os menos aplicados é mais espaçado) é tempo da avaliação, em que os professores testam e examinam o nosso progresso e determinam se estamos prontos para uma nova fase, em que os exercícios são mais complexos e rigorosos ... tudo em prol de um melhor aproveitamento das nossas capacidades.
Confesso ... acho que pensei para esta escola o melhor nome possível, porque não lhe consigo pôr defeitos: os professores são uns bem-dispostos, mesmo quando há um ou outro que me prega uma partida com exercícios inventados (porque na "Bem-Estar" tudo é possível, até lanches com salame de chocolate e tartes) ... e os alunos que a frequentam ... bem, nem tenho palavras, parece que foram todos seleccionados do país imaginário "Mais Simpático Não Podia Haver" e tratam-me com uma naturalidade como se já me conhecessem há anos ...
Sinto que nesta escola posso relaxar das preocupações do quotidiano, esquecer os problemas e esforçar-me ao máximo até os músculos me doerem ... e tudo isso sem me preocupar se olham para o que visto, para quem são os meus pais ou para o meu diploma ... porque nesta escola, somos todos iguais e o objectivo dos professores é simplesmente ajudar-me, sem juízos de valor ou preconceitos.
No "Bem-Estar" não há lugar para bilhardices, "cortar na casaca" ou ambições desmedidas ... impera a boa disposição e energia positiva porque estamos todos para o mesmo ... corpo são, para uma mente mais pura e saudável :)
Por isso, é bom voltar à escola!

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

O Remédio da Alma :)

Se o Amor é o tema recorrente deste blog, hoje vou devanear sobre outra das minhas paixões ... a música :)
Sons combinados em harmonia e que já convivem com o ser humano desde o início da nossa existência, na natureza ... através do rufar enfurecido dos trovões, do sacudir das árvores em dias ventosos, do salpicar da chuva fina ao tocar nas plantas, passando pelo alegre chilrear dos pássaros ou pelo canto das cigarras ... e mais tarde, com os instrumentos musicais imaginados pelo Homem ...
Para muitas culturas, o som é uma força divina que se manifesta através das vibrações rítmicas, e na Antiga Grécia havia quem tratasse os doentes fazendo-os ouvir cânticos considerados mágicos ... e já o filósofo Platão afirmava na altura que "a música é o remédio da alma" e que chega ao corpo por intermédio dela. Ainda segundo este filósofo, a alma pode ser condicionada pela música, assim como o corpo pela ginástica.
Não podia concordar mais, pois não concebo viver sem música, e nas horas que passo sem os auscultadores nos ouvidos, ela ecoa na minha mente, como um prolongamento da minha essência ...
A minha Rádio favorita tem um programa que se chama "As Bandas Sonoras das Nossas Vidas", em que os convidados seleccionam as melodias que mais os marcaram ... se me pedissem para escolher o meu TOP 10? Impossível! Tenho centenas de músicas favoritas, desde os anos 80, à música electrónica alemã e inglesa, passando pelo jazz e pelo pop, terminando nas românticas melodias francesas, que me recuso a ouvir quando me sinto mais em baixo ...
Em vez de escolher um CD com uma dezena de faixas, se eu pudesse, faria acompanhar cada momento chave do meu dia (e da minha vida) com canções como "I Can See Clearly Now" (do Johnny Nash) ao acordar ... o tema do "Psycho" para um dia mau no emprego ... o "I´ll be there for You" (da série "Friends) para os bons momentos com os amigos ... "Call on Me" para o ginásio e "We Are Family" para quando estivesse a rever a família querida ... e "last but not least" ... para um encontro com o homem ideal o "Every Little Thing She Does Is Magic", dos fabulosos "The Police" :) Teria temas até para andar à chuva ... a que associaria imediatamente ao inesquecível Frank Sinatra ...
Sei que para onde quer que eu vá, o meu leitor de mp3 vai comigo ... antes era o já velhinho "walkman" e depois o também ultrapassado leitor de CD´s ... escolho ouvir o que o meu estado de espírito determina, e estou sempre ávida de melodias originais e inovadoras, num mundo musical abundante em cópias e reciclagens da música que se fez nos anos 70 e 80.
Agora não posso é deixar de ouvir, e arrepio-me sempre que recordo a cena do memorável "Babel" em que uma jovem japonesa surda vai a uma discoteca e os espectadores deixam de ouvir, como ela, dando um realismo inquietante à acção, já que ela percorre o espaço rodeada por uma multidão, que dança e vibra ao som de uma energia que esta personagem nem sentia ... senti-me sufocada, confesso ...
E se para mim (e para muitos outros), a música é tão importante como o ar que respiro, há que relevar outros aspectos positivos realçados por ciências paramédicas como a Musicoterapia, que defende as vantagens da utilização da música ou dos seus elementos (som, ritmo, melodia e harmonia) para facilitar e promover a abertura de canais de comunicação em autistas ou pessoas com deficiência mental ...
Pois é ... se para muitos a música é o "remédio da alma", para outros poderá ser o "remédio da mente" e isso não é simplesmente fantástico?? Sem contra-indicações ou efeitos secundários a não ser sentirmo-nos bem melhor :)
Para terminar este devaneio, não encontro texto mais apropriado do que este início do fabuloso tema dos Apoptygma Berzerk ... "Kathy´s Song":

"In the beginning
God created the heaven and the earth.
And the earth was without form and void.
And darkness was upon the face of the deep.
And God said: "Let there be light"
And there was light.
And God saw the light that it was good.
And God divided the light from the darkness.
And God called the light day, and the darkness he called night.
And God saw everything that he had made, and behold ... it was good.
And God created man.
And man created machine,
And machine,
Machine created music.
And machine saw everything it had made and said: "Behold" ..."

terça-feira, 3 de novembro de 2009

E depois??

Este domingo assisti à minha primeira Ópera ("Orquídea Branca") e foi como sempre imaginei ... vozes grandiosas, uma orquestra a acompanhar (como antigamente, nos filmes mudos), guarda-roupa sumptuoso e uma história de amor de derreter o coração e deixar-nos com uma lágrima escorregadia no canto do olho ...
Uma Ópera que, para mim, foi magnífica e que contava a paixão proibida entre uma princesa e um jardineiro no século 19 ... no fim, saí do Teatro algo triste pelo infortúnio dos amantes, e a matutar sobre o impacto das diferenças sociais na nossa actualidade.
Quando abordei este tema no "Acreditar sempre no Final Feliz", não fui lá muito positiva, na altura acreditava haver barreiras inultrapassáveis ... mas entretanto, o tempo passou e vivi mais :)
Conheço quem defenda acerrimamente que há diferenças que não se conseguem esbater nem diluir, por mais forte que seja o sentimento, seja pela classe social, idade, credo ou nacionalidade ...
Para alguns enamorados, há barreiras que dificultam a aceitação de quem os rodeia, ou mesmo o entendimento mútuo, reconheço, mas ... e depois?
E pergunto isso, porque tenho a sorte de chamar "amigos" a um casal excepcional, e que por acaso, não partilha a nacionalidade ... o que acarreta a que nem sempre entendam exactamente o que o outro quer dizer, e a que de vez em quando, haja piadas que simplesmente nem vale a pena tentar explicar mas ... e depois??
Há gestos que nunca precisaram de palavras para traduzir um puro e sincero afecto, e basta olhar para eles uma única vez para constatar que, apesar da barreira linguística, partilham tanto, com tão pouco ... um olhar embevecido ... um encostar de testa preguiçoso ou uma carícia na nuca depois de um dia de trabalho ...
E será necessário saber inglês ou espanhol para entender um "amo-te" sussurrado num singelo piscar de olhos?
Apesar do que disse em textos anteriores, acho que a chave é sentir mais e pensar menos ...

Numa sociedade onde cada vez é mais difícil encontrar pessoas de coração aberto, quem é que se achará no direito de criticar e apontar o dedo a um casal só porque ela é mais alta (ou gorda) do que ele, ou porque ele tem dez tatuagens e ela nem furou as orelhas?
Quero acreditar que o Amor não escolhe caras ou corpos ... preferindo gargalhadas, actos de bondade e uma leveza de espírito ...
Quero acreditar que o Amor se ilumina a cada abraço generoso e a cada beijo descolado da alma ... e que não olha para carteiras, diplomas, sotaques, ou BI (a menos que a pessoa em causa seja menor, hehehe) ...

Num mundo em que prolifera a ironia, a desconfiança e a maledicência, deixemos os preconceitos de lado e vamos acreditar que, às vezes, o Amor vence mesmo tudo :)

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

I will survive :)

A minha condição de solteira há já alguns anos leva-me a reflectir sobre quanto mais tempo estarei sozinha e qual o impacto dessa situação na minha vida ...
Quando a maior parte dos meus amigos já está casada e com filhos, começo a sentir que nunca mais chega a minha vez e até que ponto é que isso me incomoda ...
Isso, porque da mesma forma que sempre defendi ser feliz, quero reafirmar que consigo continuar a sê-lo, mesmo sem um relacionamento duradoiro ... mas será isso possível?
Questiono-me até que ponto é que o Amor é importante na nossa existência ... poderá alguém afirmar ser realmente feliz, se nunca tiver amado de corpo e alma? E não me refiro a paixonetas, estou a falar daquele amor que nos marca irremediavelmente, e que fica tatuado no coração, mesmo que a história não tenha o tão desejado "happy end" ...
Sei a importância que a maior parte de nós dá a este sentimento sublime, mas a frase de Moliére "viver sem amar não é realmente viver", deixou-me a pensar em quão injusto isso é ... não há hipótese de plenitude para os que falham na vida a dois, por escolha ou destino?
Conheço tanta gente com um rol de qualidades invejáveis ... pessoas extraordinárias e com uma vida preenchida, mas a quem falta "aquela" pessoa especial, e que por isso, carregam uma mágoazinha no olhar, só perceptível quando olhamos bem de perto e com muita atenção ...
Todos temos aspirações: um bom emprego, a nossa própria casa, um carro todo vistoso ou uma viagem naquele cruzeiro de luxo ... e a cereja no topo do bolo? Alguém para partilhar tudo isso ...
Sei bem que para alguns, até é aceitável uma relação mediana, por ser preferível à solidão (que parece perseguir-nos à medida que vamos envelhecendo), mas será que todas as pequenas e grandes vitórias que vamos alcançando na vida têm um sabor menos doce quando estamos sozinhos?
Numa sociedade de relações "fast-food", em que é tão difícil voltar a confiar pelas repetidas mágoas, encontro cada vez mais pessoas de coração fechado ... ultimamente, então, só conheço homens "mascarados" de adolescentes irreflectidos e amendrontados, com desculpas tão batidas que já vou conhecendo de cor ...
E assusta-me pensar que, lentamente, estou a perder a ingenuidade que me faz olhar o mundo com tantas cores como as do arco-íris ...
Por outro lado, quero acreditar que as experiências menos positivas que vou tendo, acabam por me tornar mais forte e esperta ... e que, mesmo solteira, consigo aproveitar tudo o que a vida me oferece e partilhá-lo com quem tanto me dá, uma família maravilhosa e amigos a 200% :)
Os laços familiares e de amizade que acarinho, como se de um tesouro se tratassem, enriquecem-me enquanto pessoa e enchem-me de uma alegria extremamente luzidia e positiva ... é por causa deles que acordo diariamente com um sorriso nos lábios :)
Sei que, enquanto os tiver, nunca me vou sentir verdadeiramente só, mesmo depois do 8º ou 11º desgosto amoroso (é verdade, eles andam cegos, hehehe) ...
Não vou negar que gostaria de estar apaixonada por alguém decente e ser correspondida, mas a minha vida é muito mais do que estar à espera do "príncipe encantado" ... caramba, sou melhor do que isso!
Por isso, até que ele chegue (e mesmo que tal não aconteça, "i will survive"), vou continuar a fazer o que tenho feito até hoje ... a dar o melhor de mim a quem merece, e a acreditar na pureza e bondade humanas, por mais que me desiludam ... os batoteiros e desencantados do Amor não me vão vencer!!

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

O que eu aprendi com o Greg: A Indiferença ...

O que eu tenho aprendido estes dias sobre o sexo oposto! Mas não me deixa nada satisfeita, acreditem ... sei que há excepções (é o que vale!), mas se a maioria dos homens é assim ... acho que prefiro continuar sozinha ...
Voltando ao livro, o Greg afiança que um homem que esteja minimamente interessado numa mulher, quer vê-la, estar com ela, conhecê-la e dar-lhe muitos mimos e carinhos ... tão simples como isso. Mas para mim, que já tive a minha quota parte de desilusões, às vezes é fácil esquecer-me do que é suposto acontecer quando nos apaixonamos, o que no mínimo, é deveras desmoralizador ...
No jogo das relações, quando nos interessamos por alguém, tentamos levar as coisas com calma ... não avançar muito depressa e não assustá-los com comentários do género, "achas que Carlota é um bom nome para um filho nosso?" ou estarmos a jantar e dizer "este foi o restaurante onde o meu pai pediu a minha mãe em casamento, não achas lindo??" ... não, nós não queremos cometer erros destes nem sermos a rapariga desvairada e descontrolada que quer saber exactamente o que está a acontecer no início do relacionamento ... queremos que olhem para nós como sendo a miúda "cool", a que sabe deixar levar e que não pressiona ...
O problema é que este tipo de raparigas "fixes" ainda acaba magoada, e posso afirmá-lo sem sombra de dúvidas, porque faço por ter este comportamento e ainda assim levo com "baldes de água fria" ... às vezes nem direito tenho a um "está tudo acabado", fico a saber que não nos vamos voltar a ver depois de uma temporada prolongada de silêncio, e de nem sequer atender o telemóvel nem responder aos sms. Fantástico, não é?
É duro aceitar que, regra geral, os homens demonstram a todo o momento o que sentem por nós, e que por qualquer motivo, o sexo feminino continua a ignorar todos estes pequenos (e grandes) sinais ... ah, o poder da auto-negação!
A verdade é que queremos mostrar-nos despreocupadas, com poucas expectativas, mas ainda esperamos que ele ligue, imaginamos quando é que o vamos voltar a ver, e se ele vai ficar emocionado no nosso reencontro ... fantasiamos mil e um cenários e em todos, ele consegue perceber imediatamente o nosso íntimo e valorizar a mulher fantástica que tem à sua frente (por isso é que se chamam fantasias ...)
No fim de contas, sinto-me desanimada pela minha pouca sorte e repetidas mágoas ... às vezes só me apetecia estar vazia de emoções e voltar a sentir algo quando tivesse a certeza absoluta que ele gostava mesmo de mim.
Apesar de tudo, quero continuar a acreditar que nem todos os homens são iguais, que vale a pena atirar-me de cabeça e pensar "desta vez vai ser diferente, desta vez é que é" ... porque eu quero envolver-me e não fingir que sou indiferente ao desprendimento e à "coolness" dele.
Porque já estou exausta de encontrar homens que só conseguem justificar o pouco que me dão com desculpas como
"fui muito magoado ... não estou preparado ainda, tenho medo ... estou doente, estou cansado" ... mereço encontrar quem me queira agradar e ver feliz, e que se preocupe com o meu bem-estar .
Mas é vivendo que se aprende, errando, caindo e voltando a levantar-me mais forte e ajuizada ... sendo mais cautelosa no que dou de mim à outra pessoa, resguardar-me mais e não confiar tanto nas palavras doces e precipitadas de quem mal me conhece ...
E muito mais importante que tudo ... deixar de me esforçar para ser valorizada quando ele não está assim tão interessado :)
Por isso, chega de lamentos, e "next!", que venha o próximo ;)

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

O que eu aprendi com o Greg: O Telefonema!

Estava algo céptica quando comecei a ler o livro que mencionei no texto anterior, não acreditava que este Greg pudesse saber mais do que os sábios conselhos dos meus amigos, mas não sei porquê, sinto que estou a descortinar a forma de pensar masculina a cada capítulo que passa, e de uma forma surpreendentemente clara (ainda que assustadora!)
Isso porque o autor fala de diversas situações sem "paninhos quentes", generalizando claro, mas fazendo-me ver que tenho agido de forma errada nas minhas relações, exigindo muito pouco e contentando-me com ainda menos ...
Cheguei à conclusão de que se sou tratada com menos respeito, é porque o permito, ainda que isso não desresponsabilize quem me magoa ...
Cada vez mais começo a acreditar numa frase do livro, que por mais dura que seja, tem a sua lógica ... a de que devemos olhar para nós próprias como a "regra", não a "excepção" ... porque desculpamos demasiado quando pensamos que somos encaradas como "especiais" (e que o descuido foi pontual), em vez de "só mais uma" ... todas queríamos que ele conseguisse ver a mulher espectacular que sabemos ser, mas se ele é um imbecil e não nos dá essa oportunidade, temos de encarar a realidade ... ele não está assim tão interessado em nós ...
De qualquer forma, comecei (finalmente!) a desvendar uma das desculpas masculinas mais utilizadas, a de que "não te telefonei porque estava muito ocupado" ... quantas de nós, mulheres, já não ouvimos esta frase?
Segundo o Greg, eles dizem que nem tiveram um momento no "insano e ocupado" dia para pegarem no telefone ... foi assim tão louco o dia!
Tretas!! E posso afirmá-lo porque sei bem o que é ter um trabalho tão stressante e movimentado que às vezes nem tempo tenho para comer qualquer coisa ... e muitas vezes faço horas extraordinárias e tenho horários malucos, trabalhando fins-de-semana, feriados, 1º do ano ...
Apesar disso, também sei que, mesmo nesses "wild days", arranjo sempre forma de falar com aquela pessoa que considero importante e especial na minha vida, seja como for.
Um telefonema rápido (nem que seja para mandar um beijo) nem demora 5 minutos, e se eu consigo, porque é que ele não?? O dia dele tem menos de 24 horas, ou pior, o tempo dele é mais importante que o meu? Não me parece ...
E se eu não valho a energia de alguém esticar o braço para fazer um telefonema, então essa pessoa também não merece o meu tempo. E mai nada!
Aprendi também outra lição muito valiosa ... por mais doces e gentis que sejam as palavras do sexo oposto quando nos tenta seduzir, as acções devem falar mais alto que os elogios momentâneos, e se ele não nos liga, é porque ... já sabem a resposta, certo?
Parece simples, não é? Mas custa a interiorizar, porque nós queremos sempre acreditar que o homem que acabámos de conhecer é carinhoso e correcto ... e está interessado!
E quando vemos o primeiro sinal de um potencial comportamento duvidoso, agarramo-nos à esperança de estarmos enganadas e a fazer um mau julgamento ... e queremos ter a certeza de não estarmos a exagerar com melodramas, punindo-o injustamente pelos erros de outras desilusões ...
Na minha modesta opinião, sempre defendi que devemos ver o relacionamento como uma balança e pesar os bons e os maus momentos, fazer as contas, e recuar quanto o "homem dos nossos sonhos" nos começa a parecer um pesadelo ...
Sair com alguém e tentar conhecê-lo melhor, implica sentimentos agradáveis e positivos, não preocupações acrescidas, certo?
No fim de contas, se ele não me telefona, é porque não estou no pensamento dele, como ele está no meu, e eu não quero isso ...
E mais importante que tudo, lembra o Greg, se o rapazinho já começa a falhar em algo tão básico e mínimo como fazer um telefonema, como será em situações mais importantes?
Anotar na minha agenda: eu mereço um telefonema!!

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

O que eu aprendi com o Greg: A Caça!

Confesso ... tenho andado desanimada e um pouco zangada até com o sexo oposto ... as repetidas desilusões e poucas alegrias deixam-me sem paciência para inspirar novo fôlego de esperança e escrever mais um texto que começa com grandes melodramas mas acaba com uma mensagem super positiva ...
Vai daí, e já em desespero de causa (face às inúmeras reclamações do meu silêncio prolongado, hehehe), recorri a ajuda, algo que sempre achei meio pateta, mas que se tem revelado ser confiável ... posso chamar-lhe um manual de instruções sobre os homens, e que tenho achado bastante elucidativo sobre o perfil e comportamentos masculinos (ainda que isso nem sempre seja muito bom) ...
Chama-se "He´s Just Not That Into You" e tem-me feito perceber que tenho de parar de aceitar o pouco que recebo dos inúmeros imbecis que conheço, deixar de os desculpar, e começar a ser mais exigente (peço desculpa pela honestidade, mas mereço melhor!)
E por isso, decidi partilhar convosco o que aprendi com o autor deste livro (Greg Behrendt, com a ajudinha de Liz Tuccillo), uma obra que está escrita de uma forma tão divertida e criativa, que até já foi adaptada para filme, passo a publicidade ;)
Aqui vai ... verdade número 1: a maior parte dos homens gosta de perseguir as mulheres (o eterno jogo do gato e do rato), saboreando ainda mais o facto de não terem a certeza de nos conseguir agarrar ... e quando isso finalmente acontece, sentem-se super viris, especialmente quando a "caçada" é longa ...
Segundo o autor, os homens sabem que houve uma revolução sexual e têm noção de que as mulheres são capazes de mil e uma coisas ... como governar, chefiar grandes empresas e criar crianças amorosas, às vezes, tudo ao mesmo tempo ... isso, no entanto, diz o Greg, não torna os homens diferentes na lógica de gostarem de ser eles a tomar a iniciativa ...
Muito esclarecedor para mim, na medida em que nunca pensei que esta fosse uma opinião tão generalizada, e um autêntico soco no estômago ...
Perceber que a maior parte dos homens ainda se porta de forma tão retrógrada (para ser simpática) no que toca a este tema faz-me extrema confusão, já que enquanto mulher independente e que tem coragem suficiente para dar o 1º passo, isto é um balde de água fria ... considero-me uma mulher ambiciosa e luto por aquilo que quero na vida, e agora ouvir que, no que toca a conhecer alguém, tenho de refrear-me e esperar por um sinal dele ... muito frustrante!
Mas sabem o que me incomoda mesmo?? É constatar que sempre que tomei a iniciativa, acabei por nunca ter sucesso em iniciar um relacionamento (ou cancelavam o café em cima da hora, ou prometiam-me um 2º encontro que nunca chegou a acontecer ...)
E agora? Terei de dar a mão à palmatória e ficar à espera que sejam eles a querer conhecer-me ... como antigamente, em que os rapazes iam pedir permissão ao pai da moçoila para a poderem começar a cortejar? Ou tenho de dar uma foto minha à família para me escolherem marido??
Insultuoso para nós? Completamente! Mas parece que ainda é verdade ...
Ai ai ... se calhar é como diz o Greg, é uma tradição que ainda subsiste e que por algum motivo, está completamente enraizada na mente masculina: se a mulher se fizer ao piso, não vale a pena.
Bem, enquanto as mentalidades não mudarem ... vou soltar os longos cabelos pela janela da varanda, e esperar, qual Rapunzel, que um príncipe encontre o meu castelo ;)