terça-feira, 6 de abril de 2010

A Ilusão do Ser ...

Não me querendo armar em socióloga nem em psicóloga, tenho andado a reflectir sobre o impacto que a forma como nos vemos tem na nossa existência e como isso determina a percepção que temos do mundo e, por conseguinte, a nossa relação com ele, para o melhor e para o pior ... seja nos relacionamentos amorosos, amizades ou trabalho.
E digo isto porque me sinto triste e impotente com o comportamento de certas pessoas que conheço e que sei serem fantásticas, lindas por dentro e por fora e que simplesmente não conseguem reconhecer o seu potencial e valor, pela forma deturpada e pessimista como se vêem.
É a tão conhecida e falada falta de auto-estima, não tão grave como a anorexia ou a dismorfofobia (um transtorno em que há um sentimento crónico de não aceitação da imagem corporal), mas que provoca grandes transtornos em pessoas que não gostam tanto de si como deviam. 
Um mal-estar com elas próprias que poderá ser resultado de uma infância difícil, pais controladores e exigentes demais, amigos e familiares invejosos e mesquinhos, ou até traumas difíceis de ultrapassar, num acumular de más experiências que as tornam em adultos inseguros, que acham que têm pouco valor e não merecem ser felizes, contentando-se a maior parte das vezes com migalhas de carinho e reconhecimento.
E quando eu encontro seres humanos maravilhosos, repletos de qualidades, mas a sofrerem desta maleita e com o ego completamente espezinhado, só me apetece abaná-los repetidamente, até que eles acordem desta ilusão e se vejam como eu os vejo, no espelho certo e não naquele que têm em casa e em que vêem um reflexo cinzento e sem brilho.
E revolta-me não conseguir que tenham este discernimento e não se vejam como as pessoas espectaculares que são, enquanto há outras que têm o ego inflacionado e andam por aí com o nariz empinado demais e como se tivessem o rei na barriga, a julgarem-se melhores do que os outros ... e pior, tratando muitas vezes de forma jocosa estas almas boas. 
Sei que o mundo não é justo e que cada um tem de lutar com as armas que tem, não vou agora ser hipócrita, mas faz-me confusão que certas pessoas não lutem pela felicidade que merecem pela ideia que fazem delas próprias ... e andem por aí perdidas, cabisbaixas ... anónimas ...
Seres iludidos, acordem! Somos todos diferentes, seja pela cor da pele, estatura ou peso e é verdade, nem todos podemos ser modelos, mas TODOS temos um coração vivo e vibrante, que pulsa ansioso por afecto e uma vida que merece ser vivida no seu pleno.
E privarmo-nos do milagre que é viver por causa de inseguranças é inadmissível para mim!! Daqui a uns anos nem nos vamos lembrar de metade (com as devidas excepções para os casos mais graves) ...
Muitas vezes, somos os nossos piores críticos, mas o que são uns pneuzinhos a mais quando temos uma simpatia vibrante, o que são uns centímetros a menos (estou a pensar na altura, LOL) quando ajudamos o próximo sem esperar nada em troca ...
Em vez de olharmos para os nossos defeitos e falhas (todos os temos!), orgulhemo-nos das qualidades que as pessoas que gostam de nós adoram ... a nossa generosidade, boa disposição, largo sorriso e amizade.   
Vamos aproveitar a vida, pormo-nos mais vezes em 1º lugar e amar a pele que vestimos!!
E se se sentirem em baixo, venham falar comigo ou desabafem à vontade neste blog, eu tenho um vocabulário extensíssimo em elogios (sinceros, sempre!) e já diz a publicidade «se eu gostar de mim, quem não gostará?»

1 comentário:

  1. Gostei muito deste texto mana, escreve mais assim. Dás força e esperança e não é uma mensagem triste, mas sim positiva. Continua!!!

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