sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

A definição do relacionamento ...

Há dias estava no café com um amigo, que comentava comigo que conhecia um casal que só se dava bem a nível sexual. Uma situação que o confundia e incomodava, visto que, para ele, não é somente nisso que um relacionamento deve assentar.
Eu respondi-lhe que "se eles se dão bem, porque não?" ... acho que cada um deve ter uma relação à medida dos seus desejos, independentemente disso ser, ou não, bem "aceite" socialmente.
E dei-lhe como exemplo uma reportagem intrigante que vi há uns tempos num canal televisivo, que falava sobre a chegada do "poliamor" a Portugal, um conceito que já existe nos Estados Unidos há vinte anos e «defende a possibilidade prática e sustentável de se estar envolvido de modo responsável em relações íntimas, profundas e eventualmente duradouras com vários parceiros simultaneamente» (wikipédia) ... e com o conhecimento de todos.
Apesar de a conversa ter ficado um pouco por ali, vim para casa a remoer no assunto e a questionar até que ponto é que poderemos definir um relacionamento como melhor ou pior, certo ou errado, com esta nova forma de estar na vida. Se as pessoas se entendem e estão felizes, não será isso o mais importante?
Mas o que me deixou algo inquieta, porque balança com todas as minhas certezas, foi a resposta à pergunta: será possível amar duas ou mais pessoas ao mesmo tempo? (é que a definição é "poliamor" e não "polipaixão") ...
E independentemente disso, será este o futuro dos relacionamentos? Já escrevi sobre as relações "fast-food", mas estarão as pessoas tão descrentes no Amor para a vida toda, que preferem reparti-lo por várias "hipóteses" de caras-metades?
E as dúvidas continuaram a borbulhar, emergentes, na minha mente ... se actualmente vemos (na minha perspectiva, pelo menos) que as pessoas são cada vez mais exigentes e lutam menos afincadamente pelo sucesso de uma relação - quando esta não lhes parece dar o que esperam - como conseguirão gerir duas ou mais?
Ou se, por outro lado, tendo mais do que um amante, a pressão das expectativas acaba por se diluir e o namoro ganha nova energia com isso?
... ai ai 
O mais curioso é que há uma série que passa num dos canais da FOX que se chama "Big Love" e que segue a vida de um homem que vive com as suas três mulheres e respectivos filhos, debaixo do mesmo tecto, em harmonia, respeito e são felizes! 
Vejo-a de vez em quando, para tentar entender a lógica da poligamia, mas sem grandes resultados, confesso, porque eu ... mulher ... ciumenta quanto baste e muito sensível, sei que o meu coração se partiria em mil bocados se visse aquele que amo beijar outra mulher com a mesma intensidade e paixão com que me beija a mim, então engravidá-la e vivermos juntos?? Não me parece! (lá se vai a tolerância, hehehe ...)
Mas fico confusa ... será que o ocidental rejeitou a poligamia para uma melhor e mais eficiente organização/gestão social e ela ainda reside em nós, pulsante e a aguardar que as mentalidades mudem? 
Bem ... a verdade é que não consigo ser imparcial nesta questão, porque sou uma mulher de muitas paixões mas de um só Amor ... aquele a quem me dedico de corpo e alma, por quem suspiro, por quem o coração bate descompassadamente, aquele que me queima a pele ao toque e que me faz suster a respiração por breves segundos quando se aproxima para um tocar de lábios apaixonado ... e não sou capaz de sentir isso por duas pessoas ao mesmo tempo ...
Posso parecer antiquada face a esta nova forma de pensar os relacionamentos, mas prefiro viver plenamente o mais belo sentimento do mundo com um só homem, com todos os seus defeitos e falhas, do que esbater-me em "poliamores" e nunca ser inteira para nenhum ...

3 comentários:

  1. Simplesmente brutal este teu texto!
    Adorei!!


    Vânya Abreu

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  2. La vie en rose. Há quem veja as coisas através de uns óculos com lentes cor de rosa, parecidas com aquelas que falavas que eram de cor arco íris ;-)

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  3. Porque será que a menina Isabel nunca mais escreveu no blog? Alguém dá um palpite? LOL
    beijinhos amiga

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