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quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

A "chatice" das expectativas ...

É uma pergunta que me coloco diversas vezes: quem cria mais expectativas no Amor, os homens ou as mulheres?
Creio que este é um problema de ambos os sexos (assim como tantos outros, conforme me vou apercebendo), entendemos o que o nosso coração quer ouvir e não aceitamos uma nega, mesmo que clara ... é a tal história dos "dicionários" diferentes ... a mulher diz uma coisa e o homem ouve outra, e vice-versa ...
Pela minha parte, tenho consciência de que as mulheres criam enoooormes expectativas quando conhecem alguém especial, encaramos meras coincidências como sinais divinos, de que "aquele" é o tal ... mas penso que também os homens ...
Não será um problema comum, não conseguirmos ver com clareza, quando nos apaixonamos? Tolda-se-nos a visão e o raciocínio? Sonhamos acordados num delírio que às vezes se torna mesmo obsessivo ... E quando achamos que já batemos com a cabeça na parede o suficiente, e desta vez, aprendemos com os nossos erros, damos por nós a agir como adolescentes inexperientes na arte do amor ...
Bem, se calhar é assim que tem de ser ... e se começarmos a agir de forma mais calculada no amor, acabamos a impor limites ao coração e a viver pela metade ... e talvez até a perder a oportunidade de viver uma paixão arrebatadora ... louca ... impensada ...
Pois, vendo bem as coisas, acho que prefiro continuar a arriscar, precipitar-me e a dizer mais do que devia ... a criar expectativas e a tentar encontrar quem me faça feliz ... magoar-me, desiludir-me e voltar a fazer exactamente o mesmo dias depois ... não é essa também a piada de nos voltarmos a apaixonar?

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

O Dia do Amor :)

Os apaixonados vão andar ao rubro este sábado, Dia de São Valentim ... o Dia do Amor :)
Na minha adolescência, eu vibrava com esta data, já que a minha escola assinalava o Dia dos Namorados "à maneira", com músicas pedidas (nunca me vou esquecer do "Light My Fire", dos The Doors, surpresa do meu querido Marco) e um Correio do Amor, em que recebi dedicatórias mesmo queridas, ainda que também algumas cartas parvas, a gozar com o meu aparelho e óculos (coisas próprias dos "piquenos") ... hoje farto-me de rir quando me lembro disso, mas guardo tudo com grande carinho ... e saudade de um tempo bem mais inocente ...
Nessa altura, com os meus 15, 16 anos, vivia o 14 de Fevereiro nas nuvens, encantada da vida, sempre à espera que me calhasse uma carta ou postal e também enviava (mas sempre sob anonimato, com receio das negas) ... havia quem recebesse flores e peluches, não me lembro de alguma vez ter recebido, mas também não fazia questão ... as declarações de paixão que recebia naquele dia ... uma vez por ano ... enchiam-me a alma ... não precisava de mais nada, só daquelas palavras :)
Foram bons tempos ... a altura certa para estas coisas ...
Hoje, já adulta, vivo a data com outro espírito, e em conversa com uma amiga sobre a importância deste dia, ela disse que até nem se importava de receber um ramo de lindas rosas, mas o namorado recusa-se a render ao espírito consumista do Cupido e prefere surpreendê-la nos restantes meses do ano ...
Terá razão? Bem, tenho consciência que o 14 de Fevereiro foi completamente empolado e manipulado pelo comércio, mas confessem lá ... não gostam de ter uma desculpa para mimar ainda mais a cara-metade? Eu adoooooro e sei que um dia destes, hei-de ter quem me volte a dedicar uma música, e nesse dia, São Valentim ou não, vou escutá-la com o mesmo entusiasmo dos meus 16 anos, eu sei que sim :)

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

O v$lor da virgindade ...

Era uma vez uma estudante norte-americana, de 22 anos, que decidiu leiloar a sua virgindade, alegando que estava apenas a fazer uma "experiência sociológica" para avaliar a reacção da oferta pública ...
Consta depois que a "menina" começou a repensar o assunto, quando viu as ofertas chegarem às dez mil, inclusive uma de um empresário australiano, de 39 anos, que lhe ofereceu nada mais nada menos do que quase 4 milhões de dólares (em euros, quase 3 milhões)!
E eu achei tanta piada ao facto desta rapariga ter esquecido tão rapidamente as suas convicções, que não resisto a fazer a minha pequena apreciação ao "valor da virgindade" (que neste caso, está alto, hehehe) ...
Como tudo na vida, a virgindade só é importante para quem a valoriza. Posso dizer que nunca fiz questão de honrar o branco do vestido de casamento (mas também não faço questão em casar, por isso ...) mas sei que este é um assunto delicado para muitos, julgo que por fazermos parte de uma sociedade eminentemente católica e que ainda não aceita que o sexo é um acto natural, e tão puro e mágico como a virgindade ...
Mas como faço sempre questão de ressalvar, são escolhas, ainda que acredite que 80% de quem se "guarda" (seja para o casamento ou por qualquer outra razão que achem válida), se arrepende nem que seja um bocadinho, e pensa depois "bolas, se eu soubesse que era assim, já tinha experimentado antes" ...
E acho mesmo inconcebível, nos dias que hoje correm, quem defende casar virgem e viver toda a mesma existência com um único parceiro ... acreditem quando digo que ninguém pode afirmar com 100% de certeza que encontrou o amor da sua vida ou que tem uma vida sexual fantástica, quando nunca teve uma alternativa ...
Posso estar a ser injusta, mas acredito que mais do que namorar muito, devemos namorar muitos (quem me conhece bem, sabe porquê) ...
E vou mais longe ao afirmar que em pleno século 21, leiloar a virgindade "para pagar os estudos" não devia ser notícia, mas motivo de chacota e descrédito, pelo aproveitamento financeiro de um momento que deve ser vivido com quem se gosta e não com quem licitou mais alto ...
Mas há valores e há valores, e cada um escolhe o $ da sua virgindade ...

Sexo ocasional, o novo Amor??

Li há dias um artigo que achei deveras pessimista e que defendia os "benefícios" do sexo ocasional e sem compromisso ... sem as angústias da manhã a seguir ou a ansiedade das duas semanas sem sms ...
Isto porque a autora do dito artigo acha que o amor dá mais trabalho que gozo ... muitas chatices, depois o sexo entra na rotina e diz ela, vemo-nos a ser exactamente iguais ao casal que toda a vida desejámos não ser: mudos, sem entusiasmo, sem chama ...
Esta amiga chega mesmo a questionar a duração do amor se a maior parte de nós não tivesse em mente "a procriação" (procriação??) ... defende ela que isto é o "amor sem floreados" ...
Bem, eu nunca ouvi pior definição deste sentimento que idolatro ... não sei se a autora do artigo é solteira ou casada, feliz ou infeliz, não faço a mínima ideia nem tão pouco me interessa, mas espero nunca chegar ao dia em que minimize o Amor deste forma.
Não sou moralista nem hipócrita ... não condeno o sexo casual, faz quem quer, mas porque lhe apetece, não como alternativa à "the real thing"! Este "novo Amor" dos tempos modernos não nos preenche da mesma forma que o original e verdadeiro ... dito por quem já experimentou pelas razões erradas, deixa-nos com uma sensação de vazio, uma mágoa no coração e um sentimento de inquietude sobre algo que nunca começou, e que ficará para sempre inacabado, incompleto ...
O fascínio momentâneo de uma noite de paixão é sedutor, e é efectivamente uma forma de evitar desgostos e decepções (acaba tudo no dia seguinte, sem dúvidas), mas acaba por ser uma forma de passar pela vida mais ao de leve ...
Ainda assim, são escolhas e são opiniões (ela deve divertir-se, ao menos, hehehe), mas eu nunca irei preferir o sexo fortuito a apaixonar-me, só porque dá mais trabalho ...
Não hesito em trocar uma noite de diversão por conhecer melhor alguém, apaixonar-me pelos seus pequenos defeitos e divertidas qualidades, andar de mão dada pela rua, chorar a ver um filme romântico ou telefonar a qualquer hora do dia só para contar aquele episódio tão giro que me aconteceu ... e que ele também vai achar piada :)
São opções e há quem prefira viver somente o "agora", sem amarras emocionais, sem compromissos, sem chatices, mas eu hei-de preferir sempre a via mais "difícil" (segundo a cronista), pois quero ser mais do que um número de telemóvel na agenda de alguém, quero ser a mulher a quem querem apresentar aos amigos e pais e mais tarde, quem sabe, a quem oferecem a escova de dentes e uma gaveta no quarto ... e depois, logo se vê :)

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Confessar o Amor ...

Costumo defender que homens e mulheres são muito diferentes (de Marte e de Vénus, mais respectivamente), ainda que tenha amigos que jurem a pés juntos ter os mesmos problemas e dilemas que nós (ainda não sei se acredito ...), mas no que toca a confessar os nossos sentimentos à pessoa em quem estamos interessados, tenho de dar a mão à palmatória, pois penso que agimos de forma parecida ...
Temos todos as mesmas incertezas e medos, e aquele pavor de dar um "passo em falso" quando estamos a dar os primeiros passos e a conhecer a pessoa que não nos sai do pensamento ...
Em conversa com um amigo, constatei que também ele tem medo de dizer a palavra errada à mulher que ele considera certa e estragar uma relação de amizade que podia ser algo mais ...
Sei que o ser humano é complicado e complexo, mas ainda não percebi qual é a dificuldade de admitir, pura e simplesmente, que gostamos de alguém, e esperar um "não" ou um "sim", como resposta ... acho que temos tanto medo de arriscar, que às vezes contentamo-nos com uma amizade que podia ser tão mais bela ...
Estarei errada? Serei a única a não saber "mover-me" neste pretenso jogo do amor? Dizer abertamente que gosto de alguém não é politicamente correcto? Tenho de fazer joguinhos e fingir-me desinteressada durante dias a fio para conseguir conquistar o alvo da minha afeição?
Pois é, quando era mais nova achava que os adultos complicavam demasiado as coisas que a mim me pareciam tão simples, e agora, com os 29 anos à porta, continuo a pensar o mesmo ... complicar para quê? ... se gostamos de alguém, não é lógico querermos afirmar esse sentimento? É o tal jogo do "gato e do rato" de que já falei no blog ... e à medida que o tempo passa, percebo melhor o "como" e o "porquê" destas regras todas nos relacionamentos, mas recuso-me a aceitá-las ... vou continuar a agir de acordo com os mandamentos do meu coração e quem não gostar ... próximo! Não vou perder mais tempo com quem não gosta de mim como eu sou ... e mai nada :)

P.S.: E como eu adooooro finais felizes e a conversa que tive com o meu amigo já foi há algum tempo, ele entretanto confessou o seu amor à "mulher ideal", que receosa, o afastou ... mas ele seguiu o coração, insistiu com palavras meigas e de confiança, e hoje em dia namoram e estão bem felizes ... pois é, o "não" está sempre garantido, temos é de lutar pelo "sim"!

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

A lista da mercearia :)

Vamos lá a ser sinceras ... nós mulheres, desde que começamos a pensar em namoriscar, elaboramos mentalmente uma lista do que desejamos encontrar no sexo oposto (o homem ideal): aos 15, 16 anos, procuramos homens divertidos, olhos bonitos e sorriso encantador e se tiver um bom rabiosque, melhor ainda (marotas que nós somos, só queremos saber das qualidades físicas ...)
Já aos 30, 40 anos, a lista é outra, tornamo-nos mais exigentes e o sorriso Colgate não basta (mas ajuda), queremos homens com um emprego estável, que já tenham saído da casa dos papás (muito importante!) e que consigam manter uma conversa intelectualmente estimulante (e se souberem dar boas massagens, melhor ainda, hehehe) ... ou seja, continuamos a privilegiar o físico, mas também queremos o intelectual ;)
Em abono da verdade, penso que o mesmo acontece aos homens, quando chegam a uma determinada fase da vida em que preferem mulheres interessantes a miúdas giras, e finalmente, uma miúda linda e burra já não lhes parece tão atraente (também são exigentes, vocês!) ...
Acho que nessa fase da vida em que já sabemos exactamente o que queremos e o que não queremos, vivemos o inverso da nossa adolescência (em que bastavam uns olhos bonitos para ficarmos todas derretidas) ... agora, são esses olhos bonitos que têm de provar serem mesmo sinceros ... somos mais cautelosas e rimo-nos (e bem!) com os que ainda nos tentam seduzir com o conto do vigário ...
Mas é como em tudo na vida, vamos amadurecendo, aperfeiçoamo-nos enquanto pessoas, e lutamos por um emprego melhor, investimos numa casa maior e exigimos por isso um relacionamento com alguém que tenha as mesmas ambições ...
O problema é que esta "lista da mercearia" acaba por limitar a nossa oportunidade de conhecer homens que não cumpram esses requisitos... estamos mais selectivas, mais exigentes, e à mínima piada parva, dizemos "tchau aí" ...
Daí que entenda (ainda que seja difícil de aceitar) o porquê de amigas na casa dos 30, lindas, inteligentes e fabulosas, ainda estarem solteiras ... homens com os requisitos todos, andam cegos??
Brincadeiras à parte, é por estas e por outras que, apesar de eu acreditar com todo o fervor no Amor, sinta que encontrar uma alma-gémea é também uma questão de sorte ... eu sei que o "homem ideal" anda por aí, mas se calhar precisa de um mapa melhor para me encontrar ...

domingo, 1 de fevereiro de 2009

A Idade do Amor ...

Quantas vezes já ouviram uma pessoa de meia-idade, viúva ou divorciada, dizer que "já estou velha demais para voltar a encontrar alguém" ... e eu ponho-me a pensar se o Amor tem idade ...
Segundo a minha ordem de ideias, há um tempo para tudo: quando somos adolescentes e começamos a namorar, achamos logo que encontrámos o grande amor da nossa vida e que vai durar para sempre (ingénuas...)
A verdade é que é muito raro durar, e quando nos voltamos a apaixonar na idade adulta, já temos um maior discernimento para relativizar os sentimentos e percebermos que não vale a pena usar o verbo "amar" com o 1º namorado (é muito cedo, acreditem) ...
É depois dessa fase e de amadurecermos a cabeça e o coração, que vivemos os relacionamentos de uma outra forma, mais profunda, ainda que igualmente apaixonada ;)
E depois aparece aquele homem que se torna o nosso companheiro de uma vida, e com quem partilhamos os momentos mais especiais, temos filhos, netos ... e que, quando desaparece, nos deixa a alma vazia e o coração em mil pedacinhos ... é depois dele, que achamos que já não vale a pena apaixonarmo-nos outra vez, nem conhecer mais ninguém ...
Ainda assim, acho que não há uma idade ideal para viver um grande amor, ele aparece às vezes quando menos esperamos ... e apesar de eu ainda ser uma "piquena" e caloira nas artes do Amor, gosto de acreditar que podemos amar mais do que uma pessoa na vida.
Ainda que haja sempre o "tal" homem que nos deixa marcas mais profundas, seria uma grande pena que só pudéssemos amar de alma e coração uma única vez em toda a nossa existência.
Prefiro pensar que amamos de forma diferente todos os homens que passam pela nossa vida, e que todos eles nos ensinam algo mais (bom ou mau) acerca desta arte :)
E portanto, quando oiço alguém dizer que é velho demais para voltar a amar, apetece-me perguntar-lhe "E qual é a idade do Amor?" ...

sábado, 31 de janeiro de 2009

Histórias de uma cozinheira e do seu pónei amarelo ...

Vi há dias o filme "Revolutionary Road", que tinha uma premissa que sempre me intrigou ... se é verdade que a realidade do nosso quotidiano (casamento, filhos e trabalho) nos impede de concretizar os nossos sonhos de meninice ...
Quando eu andava na escola dizia que, "quando fosse crescida", queria ser cozinheira e ir para o trabalho montada no meu pónei amarelo (a minha cor favorita na altura), e apesar de hoje em dia só esse pensamento me dar vontade de rir, com os meus 4, 5 anos eu afirmava-o com a certeza de quem já sabe o que quer fazer o resto da vida :)
Ok, o meu sonho de infância não é o melhor exemplo de um projecto de vida, porque a bem da verdade, nunca tive um pónei e cozinhar não me deixa em êxtase, mas o que quero mostrar com este exemplo é a facilidade com que abrimos mão das nossas antigas aspirações, por acharmos que eram tontas e irrealistas ... sei que nem todos podemos ser astronautas, pilotos de Fórmula 1 ou modelos de alta costura (ou cozinheiras com póneis), mas podemos ao menos tentar e lutar pelo que outrora nos parecia tão essencial para a nossa felicidade ...
Porque a alternativa é acomodarmo-nos a uma vida mais tranquila e previsível, mas em que sentimos aquela pequena inquietação, a de sabermos bem lá no fundo que não tivemos a coragem suficiente para arriscar e cometer uma loucura, quem sabe, e viver a vida que sempre imaginámos ...
No filme, os sonhos iniciais de uma vida diferente que acabou por nunca chegar, levou a que o casal de protagonistas entrasse em ruptura ... ela recusava-se a levar uma existência sem desafios e ele achava que a conseguia fazer feliz, mesmo assim ... a história não terminou com um final feliz, embora eu tivesse essa esperança ... pensei até aos últimos minutos da película de que o amor ia ser mais forte e fazer a diferença, impulsionando o concretizar da visão de felicidade que ambos partilhavam ...
Mas já diz a canção, que nem sempre o amor é suficiente ... o que vale é que eu continuo a achar que esta é a excepção à regra, e enquanto for assim, tudo bem :)

domingo, 25 de janeiro de 2009

A Cegueira do Amor ...

No outro dia colocaram-me uma boa questão ... com o que é que sonha um cego que nunca viu?
E vai daí, fiquei a pensar nos vários tipos de cegueira, não só a visual, mas a do coração ...
Lembram-se dos óculos com lentes da cor do arco-íris, que colocamos quando nos apaixonamos? Pois, eles fazem-nos ver tudo muito mais colorido, mas também nos toldam a visão ... aquelas cores todas ofuscam-nos e é por isso que, quando a nossa cara-metade nos começa a negligenciar, as lentes não nos deixam ver claramente ... não deixam ver o desinteresse, o egoísmo, a falta de tacto e do brilho nos olhos que antes era tão frequente ...

E por essa verdade ser tão dolorosa, percebermos que estamos com alguém que não nos ama da mesma forma, lá deixamos que a Cegueira do Amor se instale e se acomode ...
A verdade é que, bem lá no íntimo, sabemos quando a relação já teve melhores dias ... mas estes óculos "maravilha" teimam em mostrar-nos um mundo diferente, uma ilusão de que as coisas parecem bem melhores do que efectivamente são ... e assim, continuamos a insistir numa relação com o prazo de validade expirado.
É uma questão também de orgulho, não queremos admitir que o relacionamento não está a resultar, é difícil aceitar que também falhámos, principalmente depois de tudo o que investimos e lutámos ...
E assim, dia após dia, aturamos atitudes e situações que nos rebaixam, ferem até ao fundo da alma e nos deixam a auto-estima ao nível do chão ... mas aguentamos e cara alegre, apertamos os óculos "maravilha" com mais força na cara, e aquietamos o nosso coração com mais uma desculpa esfarrapada, é mais fácil assim ...
Acontece é que os óculos até podem ser fabulosos na visão deturpada que nos dão da realidade, mas não enganam o coração, que vai ficando pequenino e se vai esvaziando do sentimento ... e um dia acordamos, e não nos apetece voltar a olhar o arco-íris pelos óculos "maravilha" ... e preferimos encarar a verdade, por mais penosa que seja ...
É aí, meus amigos, que começa uma nova vida ... recomeçar exige um lavar de alma, uma reavaliação das nossas prioridades e muita coragem para dar uma nova chance ao Amor (ainda que com alguns remendos no coração), mas acredito que vale a pena ... vale sempre a pena, só temos de voltar a acreditar :)

P.S.: Deixei para o fim a resposta à pergunta sobre a possibilidade dos cegos de nascença conseguirem sonhar ... ficaram curiosos, certo? Pois bem, um estudo publicado por cientistas portugueses proporcionou o primeiro indício de que pessoas sem experiência visual podem sonhar com imagens, pois são activadas partes do córtex cerebral que controlam essas representações. O mais fantástico é que, se essas conclusões estiverem correctas, essas imagens surgiriam em consequência de estímulos tácteis e auditivos. E esta, hein?

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Aceitam o meu desafio?

Amigos e colegas ... visitantes deste blog:

Criei o blog nem há duas semanas e sinto-me muito feliz por saber que já vou tendo algum "feed-back", e que há quem tenha interesse em ler os meus desabafos sobre este tema tão universal (também, depois de toda a publicidade que fiz no meu hi5, não é para menos, hehehe) ... agradeço a todos os carinho e a amizade e principalmente à minha melhor amiga, a primeira a encorajar-me a reunir os meus pensamentos num blog ... tu sabes que és tu, Lara (saudades!!), sem esquecer a mais romântica das minha amigas, a Patrícia, e a menina que mais paciência tem para me aturar, a Paulinha ...
Pois, pois ... parece o discurso de quem recebeu um Óscar, mas sei que muitos de vós, que escrevem neste blog, têm vidas ocupadas e por isso valorizo muito os minutos que nele dispendem ...
E como eu tenho muuuuuuuita lata, deixo a partir de hoje um desafio ... darem-me a vossa opinião sobre questões que vou lançando ... e sem mais demoras, a primeira pergunta é sobre o meu último texto ...
"O que pensam das relações "fast-food", uma moda passageira ou uma forma de pensar que se vai generalizar?" Aguardo os vossos comentários ... Beijo para todos!!

Relações "fast-food" ...

Hoje em dia as pessoas têm relações a que apelido de "fast-food", tanto a nível amoroso como de amizade. Uma situação que me inquieta sobremaneira, pois revela o estado a que chegámos enquanto seres humanos. Esta é a melhor definição que ouvi até hoje deste tipo de relações e foi-me dita por um grande amigo meu ... vejam lá se não concordam:
"Realmente cada vez mais observo nas pessoas como elas querem correr de uma relação para outra, passam a vida toda a correr, ao invés de andar, como se fosse uma corrida cuja meta é a morte. Para curar um coração num estado vegetativo (ou partido) procuram alguém com as características que gostam, que consideram necessárias ... e ficam apenas o tempo suficiente para descobrir se essa pessoa as possui ou não (antes era uma conversa num bar, agora são 2 semanas de sms) se sim, ficam ... se não, next! ... mas a amizade que podia ser gerada aí, mesmo que não haja o "click", a química para o amor ... essa já não tem o valor que tinha ..."
Eu sei que hoje em dia é mais fácil conhecer pessoas ... nos bares, discotecas, ginásios e até através da Internet (com o msn e hi5), mas sinto que julgamos depressa demais quem acabamos de conhecer, por qualquer chatice ou mal-entendido, descartamos as pessoas ao primeiro sinal, por já estarmos à espera de mais uma desilusão ...
Antigamente, havia quem se casasse mal conhecendo o outro, que depois se tornaria parceiro de uma vida, mas porque as pessoas não tinham grande escolha ... os divórcios eram mal aceites pela sociedade e os casais tinham de fazer um esforço maior para se darem bem ... e muitos acabavam por se apaixonar e serem mesmo felizes ...
Hoje em dia, e perdoem-me o descrédito, os jovens casam e à mínima discussão, divorciam-se ... não digo que se casem de ânimo leve, mas sem a consciência plena de que um compromisso como o casamento tem imensos picos altos, de extremo amor, mas também implica cedências, discussões e momentos menos bons ... é isso que fortalece um relacionamento, resistir às contrariedades, mas parece que as pessoas desistem tão cedo, demasiado cedo ...
Vivemos numa sociedade cada vez mais massificada, anónima e apressada, as pessoas passam a ser números de telemóvel, que apagamos no dia seguinte por já não nos lembrarmos delas ...
Com esta lógica dos relacionamentos "fast-food", sinto que quando conheço alguém interessante, estou numa entrevista para um emprego, em que tenho de dar a melhor impressão possível em 30 minutos ... entristece-me pensar que me tiram a oportunidade de eu me dar a conhecer por inteiro, com tudo o que isso implica, qualidades e defeitos ...
Amigos, reflictam, vejam se é desta forma "fast-food" que queremos passar pela vida, ou se às vezes não vale a pena arriscar e conhecer melhor quem nos rodeia ...

domingo, 18 de janeiro de 2009

Felicidade agora :)

Não devemos fazer depender a nossa felicidade de terceiros, acredito que devemos ser felizes no presente, e lutar pelos nossos sonhos, independentemente de termos alguém "especial" ou de estarmos solteirinhos.
Não vou pôr a minha vida no "pause" até chegar o príncipe encantado montado num cavalo branco para começar a viver a vida (até pode nem chegar) ... há que ser feliz é no presente, porque às vezes adiamos os nossos projectos tempo demais, à espera da pessoa e do momento certos.
E esta forma de pensar também se aplica a todos os outros campos da nossa realidade, já que estabelecemos imensos objectivos de vida: ter um bom emprego, comprar casa/carro, constituir família ... e pensamos que quando tivermos alcançado tudo isso, seremos felizes. Mas continuamos depois com aquela inquietude, porque depois de já termos alguma estabilidade financeira e emocional, de os filhos já estarem crescidos, achamos novamente que só vamos ser felizes quando os nossos descendentes também estiverem bem na vida ... e por aí adiante ...
Conheço tanta gente que se esquece de usufruir o "agora", de gozar os pequenos prazeres que a vida nos dá, como fechar os olhos num dia solarengo e deixar que o sol nos aqueça a face, a alegria no rosto de uma criança quando brincamos à bola com ela ou uma amiga que se voltou a apaixonar ... situações que me refrescam a alma e me lembram como é bom estar viva, saudável e ter uma família e amigos maravilhosos (ainda que muitos estejam longe) ...
Só temos uma vida, e às vezes penso que a desperdiçamos com tantas questões menores ... estou gordinha, não tenho roupa para vestir, o carro precisa de uma pintura nova ... há que pôr as coisas em perspectiva ... há quem não tenha comida, carro ou casa, quem esteja preso numa cadeira de rodas para o resto da vida, quem tenha um filho com cancro, e nós queixamo-nos??
Eu sou apologista de rir, rir muito, e contagiar o maior número possível de pessoas com a minha alegria de viver ... sou uma mulher feliz (faço por isso) e só me arrependo do que ainda não fiz ... porque não quero um dia olhar-me ao espelho, com rugas e pele flácida, e achar que não aproveitei isto tudo, bom e menos bom, ao máximo ...

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Os Homens são de Marte, as Mulheres de Vénus ...

Ainda estou a descortinar os meandros do amor, mas de uma coisa estou certa, é mesmo verdade que "Os Homens são de Marte e as Mulheres são de Vénus", queiramos ou não, somos diferentes e se para mim, um homem não sabe o que quer porque um dia gosta muito de mim e no outro já nem me liga, acho que isso acontece por termos visões bem diferentes no que toca ao relacionar-se e apaixonar-se ...
Enquanto que a maior parte de nós é romântica/sonhadora e quando conhece alguém interessante já começa a imaginar o casamento e os nomes dos filhos (exagerada!!), os homens são bem mais práticos, vivem (intensamente) um dia de cada vez e sem as expectativas que nós criamos ... tenho plena consciência que faço muitas vezes uma tempestade num copo de água por causa de uma situação que, para ele, nem era um problema! Mulheres e homens sentem e pensam de maneira diferente e não há volta a dar ...
Constato isso principalmente no começo de uma relação ... não nego, acho que a melhor parte de flirtar com quem sentimos "química" é todo o desafio que isso envolve ... o jogo de sedução, a troca de olhares cúmplices e as conversas com duplos sentidos que depois se tornam deliciosamente marotas ...
Ainda assim (e aí começam as diferenças), apesar de vivermos numa época em que as mulheres já se emanciparam, encontro homens que gostam de sentir que controlam a situação ... podem até simpatizar IMENSO connosco, mas se se apercebem de um grande entusiasmo da nossa parte, perdem rapidamente o interesse. A minha primeira reacção é a de que "são parvos e não sabem o que querem", mas também percebo que muitos homens gostem do desafio de nos rondar e envolver qual aranha na teia ... para depois nos porem "K.O." ... o problema, é que se nos mostramos logo demasiado disponíveis, eles perdem esta adrenalina do desafio e de quem ganha no jogo do gato e do rato ... e tchau aí ...
Pois é, os Homens são de Marte, e por isso temos de esperar que sejam eles a dar o 1º passo, o 1º sms e telefonema, porque se formos nós, eles podem interpretar o nosso entusiasmo como ansiedade e desespero, o que é péssimo!
E eu, que sou de Vénus, fico baralhada com estas duas realidades (planetas) tão diferentes em que coexistimos, mas vou continuar a tentar perceber a mente masculina, muito complicadinha por sinal, mas tão ... encantadora ... gosto de marcianos, fazer o quê?

domingo, 11 de janeiro de 2009

PARTE II - O que sei eu sobre o Amor?

Fazer a cama, lavar e arrumar a roupa, cozinhar, lavar a loiça e ainda limpar a casa são tarefas que ninguém gosta de fazer e que são, muitas vezes, motivo de discussões parvas, que às vezes conseguem criar um arrefecimento nada agradável na relação ...
Sinceramente, eu acho o amor lindo, mas acredito que um dos principais desafios de viver juntos é conseguir repartir de forma justa essas tarefas, a que ainda se acrescem as contas para pagar e o esforço de ter de poupar dinheiro e não comprar aquela tv. enooooorme ou aquele vestido e sapatos iguais ao da revista ...
Enquanto namoramos e cada um volta à sua casa no fim do dia, é um desafio que não se torna tão visível, mas que se pode tornar num problema "cabeludo" quando uma das caras-metade é preguiçosa e está sempre a adiar a lida da casa ... acaba por sobrar para a cara-metade cumpridora, que muitas vezes prescinde do descanso das folgas para limpar tudo ... sozinha ...
Isso porque as caras-metades cumpridoras, vencidas pelo cansaço, e depois de repetirem incessantemente a mesma coisa ("não deites a roupa molhada no chão", "não deixes a gordura secar na loiça e fogão", "põe o lixo na rua antes que comece a cheirar mal"), são vencidas pelo cansaço e acabam por fazer tudo, porque a alternativa é ... caótica ... stressante ...
Não vou disfarçar, estas críticas são dirigidas ao sexo masculino ... há excepções e bem sei que as mentalidades estão a mudar, mas até que as coisas sejam efectivamente justas, gostava de lembrar duas coisinhas: as tarefas repartidas demoram metade do tempo ... e a metade do tempo que sobra pode ser passada a fazer coisas bem mais interessantes ;) capice?

PARTE I - O que sei eu sobre o Amor?

Bem pouco, confesso, bem pouco ... daí estes desabafos sobre as minhas vivências e a forma como vou lidando com esta velha questão, "o que é o Amor?", a que só alguns sortudos saberão responder ...
Sei que, quando estamos apaixonados, parece que saltitamos pela rua, apetece-nos cantar o dia inteiro e olhamos para o mundo com uma perspectiva bem melhor, como se alguém nos tivesse emprestado uns óculos com lentes da cor do arco-íris :)
Sentimo-nos felizes e qualquer um consegue percebê-lo quando repara no brilho dos nossos olhos e no vigor da nossa renovada paixão pela vida e ... quando vislumbramos a nossa cara-metade ... bem, é como diz a canção "sempre que te vejo, o meu coração salta um batimento" ... estamos felizeeeeeees ...
Pois é, apaixonarmo-nos é verdadeiramente lindo, mas depois do encantamento e entusiasmo iniciais, e dos óculos com lentes da cor do arco-íris começarem a perder o cor-de-rosa, a realidade chega, pé ante pé ... e não é assim tão romântica ...
Estou a falar de quando juntamos os trapinhos, com as expectativas de que agora vamos poder passar mais tempo agarradinhos no sofá a ver tv., acordar todos os dias lado a lado com aquela preguiça, e depois namorar mais um bocadinho, e começar a pensar em constituir família ... muito bom!
Mas depois começa a prova mais dura, as tarefas caseiras do quotidiano que não se resolvem sozinhas e que, quando ignoradas, tendem a acumular e todas as responsabilidades que uma vida a dois implica ...